Opinião
Redu��o do IPI: alento prorrogado
Como previsto, a redução na cobrança do IPI teve sua validade estendida. No caso dos automóveis, um dos nichos mais cobiçados, o pacote foi alargado por mais um mês. A afamada linha branca e mais outros itens flagelados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, cujos prazos anistiantes são diferenciados, também foram elastecidos para mais adiante ainda. Uma boa notícia. Mas, infelizmente, essa novidade ainda não emite sinais de ser base para uma indispensável reforma tributária. Sobre a cabeça dos brasileiros segue suspensa essa afiada espada de Dâmocles, presa não por um fio de crina de cavalo (como na lenda grega), mas por uma mola poderosa, muito mais perigosa do que no mito, pois acumula uma força destrutiva de grande poder. Amanhã, a espada tributária descerá com força redobrada sobre os brasileiros. O que fazer? É necessário que os efeitos altamente benéficos para a economia brasileira, decorrentes dessas suspensões temporárias de tributos, sejam estudados de forma isenta e que os resultados dessas análises possam fundamentar uma indispensável modernização do nosso sistema tributário, de forma que a produção e o consumo sejam, efetivamente, turbinados. Apenas tomando-se como referência o setor automotivo, um dos pilares para o crescimento do PIB, é notável a contribuição positiva da redução do IPI. Este saldo positivo se estende para muito além dos showrooms das lojas de veículos, alcançando muitos outros segmentos. Em cascata, a bonança decorrente dessa redução garante milhares de empregos numa das mais extensas cadeias produtivas da atualidade. E o mais importante é que, na conta final, o erário não perde dinheiro, pois o aumento na quantidade de produtos comercializados compensa a redução de apenas um dos incontáveis tributos cometidos contra o bem a ser vendido. A prova de quanto é positiva uma redução no exorbitante peso tributário pode ser vista a olho nu. Basta checar quaisquer balanços das contas do Tesouro Nacional. Por que não acelerar em direção a uma reforma tributária verdadeira?