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Nº 5715
Opinião

O m�dico e a doen�a

Milton Hênio * No último dia 18 foi comemorado o Dia do Médico. Há 40 anos comemoro essa data com entusiasmo, agradecendo a Deus de ter feito sempre o possível para fazer o melhor. A medicina, apesar de todo o progresso da tecnologia, é imutável no que d

Por | Edição do dia 20/10/2002 - Matéria atualizada em 20/10/2002 às 00h00

Milton Hênio * No último dia 18 foi comemorado o Dia do Médico. Há 40 anos comemoro essa data com entusiasmo, agradecendo a Deus de ter feito sempre o possível para fazer o melhor. A medicina, apesar de todo o progresso da tecnologia, é imutável no que diz respeito ao relacionamento médico/ paciente. O doente não é uma pessoa indiferente em qualquer situação social, mas uma alma que está sofrendo e tem anseios por uma mensagem de esperança, de recolhimento espiritual para o seu sofrimento. Qualquer atitude médica junto ao doente constitui, no mínimo, uma intercessão entre duas criaturas, cuja finalidade é a cura da doença pelo uso dos remédios e pela confiança do paciente no médico. A medicina é uma profissão grandiosa, pois tem um sentido sacerdotal, uma vez que é a única que leva a penetrar os segredos da alma humana. Os órgãos que formam o organismo humano não estão isolados, independentes uns dos outros, mas interligados pelas ações dos sistemas nervoso, circulatório, endócrino, etc. Além dessas interações os órgãos e as células estão vinculados aos pensamentos, cuja importância é notável no desencadeamento das doenças. É que os maus pensamentos, o estresse, o ódio, a inveja, quebram a harmonia do organismo, fazendo com que seus órgãos funcionem mal, predispondo o indivíduo para os males do corpo. Nossos pensamentos funcionam como um conselheiro que sussurra ao ouvido de um governante. O grande filósofo Heidegger disse que a ameaça que paira sobre a humanidade vem de dentro, do seu interior. Desse modo é fácil compreender que o pensamento pode atuar no mundo interior das células que formam o organismo. Acontecimentos diários vêm nos mostrar como a vida é fugaz. Em questão de segundos há uma mudança em nossa vida. Os enigmas nesta vida chegam de repente - um enfarte, um acidente automobilístico, uma notícia, uma violência, etc. Aí emocionalmente, há uma quebra do nosso sistema imunológico, com o surgimento das doenças. Os seres humanos devem compreender que existem pedras no caminho da existência e que todas podem ser removidas com fé em Deus, esforço e obstinação. Num mundo impessoal, confuso e frio, cheio de conflitos como o atual, as pessoas procuram calor humano e paz. Assim, todas as pessoas devem procurar, dentro do possível, um significado para suas vidas. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” – disse o Cristo. E é verdade. Fico impressionado com os dados estatísticos que mostram o volume cada vez mais crescente de pessoas deprimidas, hipocondríacas e dependentes de pílulas tranqüilizantes. Usam como se fossem pipocas. A doença está em ascensão porque nosso modo de viver está cada vez mais ameaçado por pressões cada vez maiores. É, dessa forma, importante o relacionamento da saúde e da doença com o modo de viver de cada um. A doença é a expressão do desequilíbrio que ocorre dentro de cada ser. Cada um precisa encontrar o seu próprio caminho para chegar ao topo da montanha. Seja, assim, caro leitor, feliz em sua caminhada e viva com muito boa saúde, sabendo que a vida deve ser bem vivida. Não deixe para amanhã o seu sorriso, o seu abraço. Os médicos estão aí em número cada vez maior, espalhados por todos os rincões do Brasil, mas o que preocupa é que o número de doentes aumenta assustadoramente fazendo com que ele corra para atender todos sem ter tempo suficiente de conversar com cada um como desejaria, promovendo a transferência do seu afeto, tão importante para o bem-estar do paciente. (*) é médico pediatra

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