Opinião
PROMOTOR APAIXONADO
Uma das maiores expressões do Ministério Público de Alagoas, Manoel Rodrigues de Melo deixou à posteridade uma imagem de admiração e respeito, cultivada por várias gerações de alagoanos. De descendência humilde, com personalidade altiva, vocação intelectual e idealista. Ocupou diversos cargos na vida pública de nossa terra e, na Promotoria Pública da Capital, notabilizou-se pela independência de seu caráter e brilho de sua palavra. Tribuno eloquente e imbatível, cristalizou atuações memoráveis no cenário de suas atividades, sendo um defensor ferrenho da sociedade. Mereceu no estudo biográfico do renomado historiador Douglas Apratto, o título de ? negro triunfante num mundo de hegemonia branca. A voz da história o colocou na galeria dos alagoanos ilustres, por sua inteligência invulgar e destemor de suas posições, sempre ao lado das grandes causas e em defesa dos oprimidos. Deputado Estadual, em duas legislaturas, foi um baluarte da campanha do petróleo em Alagoas, liderou movimentos à construção de um novo Mercado Público e do nosso Cais do Porto, sendo um dos autores do Projeto do Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado, juntamente com Freitas Cavalcante e Lima Junior. Formado pela Faculdade de Direito do Recife, cultivava a poesia e o canto lírico, com uma voz privilegiada. Segundo testemunho de seus contemporâneos, empolgou um famoso tenor italiano, que o ouvira nas noites de seresta no Recife. Episódio que o aproximou da colônia italiana, que lhe tributou admiração por toda vida. Foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Alagoas e professor de Filosofia do Direito. Igualmente, da Ordem dos Advogados do Brasil, em Alagoas e da Associação Alagoana de Imprensa. Pertenceu a Academia Alagoana de Letras e aos quadros do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Íntegro, enfrentou seus oponentes com o vigor de sua inteligência. De alma arrebatadora, própria dos Promotores apaixonados, alimentou afeição por uma meretriz. Dedicou-lhe um soneto caloroso, chamado Maripôsa, publicado no Natal de 1939. Declara em seus versos, ?queria dizer-te que não se vive apenas de pecado ?, advertindo-a em conclusão ? que a mariposa, de viver inquieta, em torno à luz da lâmpada serena, queimou as asas e, afinal morreu ?. Rodrigues de Melo, após uma trajetória de históricas e valorosas conquistas, faleceu em Maceió, num dia nostálgico de julho de 1946, aos setenta anos de idade.