Opinião
Sete de setembro e velhas depend�ncias
Ao soprar suas 190 velinhas hoje, o Brasil pode comemorar mais um ano num processo de crescimento econômico (mesmo com diminuição de velocidade) e de reconhecimento crescente da relevância do País no cenário político global. Muitos desafios ainda esperam para serem vencidos. Vários obstáculos estruturais ainda aguardam decisão política para sua remoção. Mas, inegavelmente, o Brasil tem caminhado adiante desde a retomada do processo democrático, cujos dois grandes marcos foram o fim do processo de sucessão militar, ainda no âmbito do Colégio Eleitoral, em 1984, e o resultado da primeira eleição direta para presidente da República pós-64, quando foi dada a largada para a modernização geral do País. Recuos aconteceram, especialmente em meados de 1992, mas a caminhada foi retomada (embora timidamente) no período 1995-2003. A partir de 2004, o crescimento econômico com foco na inserção social deve ser entendido como uma experiência nova. Hoje, esta via, como que concentrando um mix de sucessos, segue sendo trilhada de forma republicana, pioneiramente conduzida pela mão feminina. Temos o que comemorar, portanto. Mas poderíamos estar comemorando muito mais e melhor, se reformas estruturantes tivessem sido levadas adiante. Continuam estagnadas no terreno pantanoso da indefinição e do burocratismo mudanças estratégicas como a reforma tributária, previdenciária, agrária, política & eleitoral ? só para falar nas mais reclamadas. A modernização da economia passou a ser conjugada mais para o verbo entreabrir que abrir. E a bandeira da defesa da indústria nacional, às vezes, volta a ser desfraldada como protecionismo do atraso, e não como programa de avanço da competitividade brasileira frente aos melhores do mundo. Enfim, ao fechar 19 décadas de existência como nação independente, nosso Brasil ainda padece de dependências que deixaram de ter sentido há muito tempo, ainda no século 19. Mas o mais importante, e o sentido do caminhar na direção certa, o que temos feito. Falta apressar o passo; e ter disposição para pular velhas barreiras.