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Opinião

ENSAIO SOBRE A HONRA E A GRATID�O

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Inesperado round envolvendo os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula ganhou uma certa notoriedade na imprensa. FHC, como é conhecido, assinou um texto publicado no Globo e no Estadão em que faz referência, dentre outras coisas, ao nanismo moral do governo que o sucedeu, cujo fastígio teria se materializado no mensalão. A reação foi dura e na mesma altura. Segundo os advogados ad hoc do ex-metalúrgico, Lula foi um grande estadista, um emérito administrador, que recebeu o País falido, anérgico, com inflação em dois dígitos, pendurado no cadafalso do FMI. Uma bagaceira. Nada funcionava. Para completar, duas desgraças emolduravam os oito anos de FHC: um mensalão (considerado o ?pai? do atual) para comprar parlamentares para a emenda da reeleição e a entrega das riquezas nacionais ao horrendo e insaciável capital estrangeiro. Entreguistas, impatrióticos, os leilões teriam sido de cartas marcadas, e a preços de banana. O fato é que ninguém sabe (nem o Delfim) o que seria do Brasil sem Lula, aliados e companheiros. Sinto calafrios ao imaginar uma Nação desamparada não fora a mão forte e heroica do inigualável combatente Zé Dirceu, de um estrategista com as qualidades de um Genoíno, dos sábios conselhos do professor Delúbio, de um Silvinho Land Rover... Felizmente, da pífia administração de FHC sobraria Valério, exemplo de financista e publicitário, reforço que seria capital nos rumos da administração pública. O que seria de Vera Cruz sem o apoio do fiel bigode de um Zé Sarney, sem as cirurgias e a proverbial honestidade de Roseana Sarney? Sem o Lobão (um dos maiores especialistas do planeta), Orlando Silva e o Barbalho, cujo PhD em rãs é um orgulho nacional? Não quero esquecer do Lulinha Júnior ? um gênio que jazia em estado larvar na portaria de um zoológico ? descoberto graças a Deus e ao governo petista. Sim, porque Lulinha (nosso B. Gates), salvo do obscurantismo, tem lugar reservado no Panteão, ao lado de Graham Bell, como um dos grandes benfeitores da humanidade. Por isso, o justo e súbito enriquecimento do garoto. Lula foi vilipendiado. Sua honestidade, sobretudo sua ética, ilumina os caminhos mais tenebrosos. Farol dos homens de bem, nunca nesse conspurcado torrão havia desabrochado flor mais pura. Ainda existem pessoas gratas. Fora a Dilma, enumero pelo menos três: Lewandowsky, Toffoli e Maluf.

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