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Opinião

AS RUAS E AS URNAS

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Mário Quintana certa vez disse que ?A soma do barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa da sua capacidade mental?. Conclusão lógica: com tantos carros de som nas ruas, trombeteando chavões de campanha a plenos decibéis em nossos maltratados ouvidos, muitos políticos têm subestimado a nossa inteligência. Outra cena que tem sido comum em nossa cidade é o comportamento de motoristas que veiculam informações de campanha estampadas em seus carros. Estacionam sobre calçadas, avançam o sinal vermelho, seguem pela contramão, buzinam com impaciência, bloqueiam o trânsito, e adotam diversas outras atitudes arbitrárias. Até parece que são portadores de carta branca, mas de quem? Dia desses presenciei cena que excedeu a todas as outras parecidas que havia testemunhado. Enquanto esperava em um sinal vermelho, vi um desses tais em admirável performance. Sinal vermelho para conversão à esquerda, o motorista à minha frente começou a forçar o fluxo de carros que vinha em sentido contrário, para os quais o sinal estava verde. Ele forçou tanto que os motoristas tiveram que parar, sob pena de serem envolvidos em algum acidente. Veio-me à memória comentário de Montaigne, a respeito do costume: ?O costume é efetivamente um pérfido e tirânico professor. Pouco a pouco, às escondidas, ganha autoridade sobre nós?. Fiquei pensando sobre que tipos de costumes queremos naqueles que, com os nossos votos, passarão a decidir em futuro próximo sobre as políticas públicas de Maceió, no legislativo e no executivo! Contudo, poucos dias depois vivi uma experiência exatamente oposta à da contemplação do furão de fila de trânsito. Foi o motorista de um carro adesivado que conduzia seu veículo de forma tão civilizada que logo me chamou a atenção. Ele cedia a vez a outros motoristas, deixava as pessoas cruzarem a rua movimentada e ainda, acreditem, sorria! O candidato cujo retrato e número trazia estampados no carro que conduzia deve saber escolher bem os que trabalham em sua campanha. Talvez saberá escolher auxiliares de administração civilizados e competentes, caso seja eleito. Me perguntei sobre o que teria dito Quintana, tivesse ele presenciado tal cena. Talvez tivesse escrito uma cronicazinha, quase silenciosa de tão sutil, mas que talvez nos suspendesse da nossa costumeira pressa - embora comportada - e nos fizesse pensar um pouco mais detidamente sobre os critérios que usamos para escolher nosso futuro Prefeito e os Vereadores para a próxima legislatura.

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