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Um velho fantasma ronda a Europa

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Sempre é necessário prestar atenção em torno de sua comunidade, estudar os acontecimentos alhures, pois desde muito antes do termo ?aldeia global? ser lançado (e devorado de forma autofágica no léxico globalizante), a interação entre regiões e países é cada vez mais simultânea. Marolas ou não, as ondas de choque da crise alcançam, rapidamente, as praias mais longínquas do epicentro explodido. Prestar atenção ao que acontece hoje na Europa é fundamental para o Brasil. Ainda mais importante que checar, pari passu, os andamentos do processo eleitoral para a Casa Branca. Mas, neste comentário, fiquemos no Velho Mundo. A história ensina que no rescaldo das crises europeias despontam as ideias mais retrógradas, mais chauvinistas, e o conceito de ?raça? é desfraldado sem pejo. Das cinzas da I Grande Guerra alçaram voo vários abutres. Os mais conhecidos foram o nazismo e o fascismo, por incendiarem o mundo na II Grande Guerra. E a história ensina a quem quiser ler além das manchetes que esses dois regimes-monstros foram muito maiores que seus sinistros líderes. Hitler e Mussolini não foram os únicos, nem os pioneiros, muito menos os derradeiros defensores do mesmo escopo de propostas para vencer a crise e ?livrar? a Europa de quem fosse identificado como responsável pela débâcle. Nos dias em curso, o fantasma do nazifacismo ronda a Europa, ainda em manifestações terroristas minoritárias. Mas o que foi o putsch da cervejaria, em Munique? Nesta semana, o partido neonazista grego Aurora Dourada liderou agressões contra pequenos comerciantes estrangeiros. Ambulantes foram duramente agredidos num mercado de rua em Rafina (perto de Atenas) e na região central do país uma feira rural foi varrida de seus camelôs identificados como não gregos. Será esse um problema exclusivo da Grécia em crise? Por falar nisso, ontem, o megainvestidor George Soros, mago das finanças internacionais, declarou, em Nova Iorque, que ?a recessão europeia vai atingir a Alemanha dentro de seis meses?. Daí, toda atenção é pouca.

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