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O RIO DE JANEIRO DE ALAGOAS

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Elevada à condição de município em junho de 1887, Pão de Açúcar é uma espécie de réplica do Rio de Janeiro encravada em pleno Sertão das Alagoas, banhada pelo Rio da Unidade Nacional, o São Francisco. Uma belíssima cidade que também chamam de ?O Rio de Janeiro do Nordeste?, pelas suas características geográficas, pelo patrimônio histórico e cultural, e também por tudo o que a mão inteligente do homem, aliada aos poderes da Natureza, conseguiram edificar, inclusive o imponente Cristo Redentor igualzinho ao do Corcovado. Poucos alagoanos tiveram o mesmo privilégio que eu: foi lá que nasci e migrei aos 10 anos de idade para outras terras onde construí minha vida, carregando no sentimento o DNA do lugar que tem o cheiro do amor. Da minha terra mãe, hoje, aos 62 anos vividos, guardo no coração recordações de uma infância pobre e feliz que jamais serão esquecidas. Mas, paradoxalmente no âmago da alma, sinto uma profunda tristeza pelo desprezo a que foi relegada a majestosa cidade. Usada por coronéis no passado bem ao estilo Ramiro Bastos do romance Gabriela e hoje por abastados filhos ingratos que traíram a esperança do seu povo humilde e bondoso. A ambição, interesses pessoais, vaidade extrema aliada à política do ?quanto mais, para mim melhor?, ofuscaram o brilho da luz do sol mais calorento que ilumina as areias do Velho Chico. Pão de Açúcar é considerada a terceira cidade mais quente do Brasil. Em outubro de 1859, o imperador D. Pedro II, em sua viagem à cachoeira de Paulo Afonso, pernoitou na então vila nos dias 17 e 22, deslumbrando-se com a beleza e não poupando elogios no seu diário, depositado no Museu Imperial: ?A vista de Pão de Açúcar é linda?. O sobrado que hospedou o imperador, tombado pelo Patrimônio Histórico, está em ruínas; o hospital agoniza na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apesar do prefeito ser um médico. A cidade é um retrato envelhecido e desbotado, resultado da ganância, da incompetência de gestores e aliados que condenaram o município ao ostracismo e a um futuro sem perspectiva. No topo do Morro do Cavalete, o Cristo Redentor de braços abertos, com suas 40 toneladas, contempla a vista maravilhosa da cidade, as praias, o mais encantador pôr do sol que já se viu e Niterói na outra margem do rio para lembrar, ainda mais, a Cidade Maravilhosa.

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