Opinião
FAM�LIA, MITOS E A VERDADE
Na semana passada, numa revista de circulação nacional, foi divulgada uma matéria trazendo casais que optaram por ter o terceiro filho. A matéria, com discreto estardalhaço, apresentava o fato como algo fora do comum. Não é de se estranhar o espanto em relação ao pequeno grupo de brasileiros que decidiram ampliar a prole para três herdeiros. Há décadas, o mundo ocidental optou radicalmente pelo controle da natalidade, acreditando ser esta a garantia de bem-estar social. No entanto, o tempo mostrou que o controle exagerado da geração de filhos vem provocando o envelhecimento do Ocidente. A Europa é um exemplo clássico: um continente condenado à caducidade, invadido por estrangeiros, sobretudo árabes muçulmanos. Um continente condenado à morte de sua própria identidade. Além do futuro nada promissor para o Ocidente, a prática da família nuclear dos parcos filhos revelou aquilo que há anos a fé cristã propaga. Ninguém se casa, forma família, para viver fechado na crosta do seu próprio egoísmo. O amor de verdade transborda, sai de si, gera realidades em comum, abre-se à vida. É interessante observar: as mulheres citadas na reportagem supracitada simplesmente abandonaram suas carreiras para criar o terceiro filho, movidas pelo desejo de algo mais, pelo sentimento de pertencer a um ambiente de aconchego, seguro, uma realidade pela qual valha a pena dar a vida. Essa decisão é de fazer as feministas de plantão tremerem e chorarem ao perceberem que o seu discurso fajuto e ideologizado, segundo o qual a família é uma invenção burguesa do Ocidente, dos machistas de plantão, está caindo por terra. A família é uma realidade necessariamente humana, pois coloca em marcha aquele desejo tão humano, tal masculino quanto feminino, de sentir-se amado e de ver nos filhos a herança desse amor. Aliás, como diz o grande filósofo Luiz Felipe Pondé, o politicamente correto é construído em cima de uma mentira moral. E mentiras, com o tempo, começam a ruir, juntamente com suas ideologias. Já caiu o mito da Idade Média das trevas; caiu o mito do socialismo e do comunismo como poder do povo; agora, cai o mito da família exígua como sinônimo de maturidade de uma sociedade. Todos os discursos caem quando não são sustentados na perenidade da verdade de Deus, inscrita no coração humano.