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Opinião

GOVERNAR E HUMANIZAR.

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Em passado bem próximo, tomamos conhecimento do triste fato envolvendo a atuação da polícia alagoana, do qual foi vítima o sociólogo Carlos Martins, que rendeu debates acerca da postura a ser adotada pelos dirigentes do nosso Estado. O episódio, ocorrido em agosto deste ano, fruto de um equívoco concernente ao rastreamento de um celular, durante uma investigação policial, rendeu àquele cidadão momentos vexatórios, de dor e trauma. Ao tomar conhecimento do acontecido, lembrei-me dos tempos em que ainda não se falava em redemocratização do País. Lembrei-me de como sofríamos com algumas posturas arbitrárias, autoritárias e antidemocráticas de governantes do passado, comportamentos estes que feriam, frontalmente, os princípios que hoje dão sustentação ao nosso conquistado Estado Democrático de Direito. Apesar desse gesto violento, que afrontou a dignidade de um cidadão, classifico como digna a postura adotada pelo Chefe do nosso Poder Executivo. O nosso governador pediu desculpas ao sociólogo Carlos Martins pelo equívoco de sua prisão pelos agentes da Polícia Civil. Por telefone, o governador lamentou ao sociólogo o incidente, dizendo ainda que a direção da Polícia Civil adotaria as providências, no sentido de apurar a responsabilidade dos envolvidos no caso. Ao final, o governador termina a conversa com a frase: ?Não deixe de acreditar na polícia como instituição?. Esse pedido de esperança ficou em minha mente, assim como aquele pedido de desculpas. Só se retrata aquele que percebe o erro cometido, que tem a humildade para confessá-lo, que assume a responsabilidade do que não está correto. Essa atitude tomada reflete um paradoxo factual, que vale a pena ser exposto: se de um lado a nossa polícia pecou pela imprudência, comparada a um passado de arbítrio, esse pedido de desculpas reflete o que se busca de um governante, no seu papel mais do que típico, muito além de apenas governar, mas, também, de humanizar.

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