Opinião
ONTEM E HOJE NA LITERATURA M�DICA
Há médicos de ontem e de hoje na literatura médica. Nos primórdios, os médicos escritores Joaquim Manuel de Macedo, autor de A Moreninha e Manoel Antônio de Almeida, com o romance Memórias de um Sargento de Milícias marcaram época; isto na metade do século 19. Ao longo dos anos seguintes, surgiram médicos, em toda a parte, dados às letras. Em presente recente, em Alagoas, Jorge de Lima, Nise da Silveira e Arthur Ramos foram expoentes da cultura médica e da arte de escrever. Em 1977 surgiu, em Maceió, uma entidade cultural literária: a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames), Regional Alagoas, cuja finalidade foi a de congregar, apoiar e incentivar médicos que também se dedicam à literatura não científica, nas suas mais diversas formas. Nesses 35 anos de sua existência, a entidade reuniu nomes destacados nas atividades médicas, mas que não dispensam o culto da beleza, traduzido nas páginas da literatura. A Sobrames descobriu e incentiva novos adeptos, cultores da crônica, da história, da poesia e das artes. Este ano, a entidade e a Academia Alagoana de Medicina instituíram um concurso literário de contos, crônicas e poesias para médicos e acadêmicos de medicina. Dezenas de participantes concorreram, o que mostra que o amor à arte da escrita está bem vivo entre nós. Recebi, recentemente, um texto do médico e poeta José Reinaldo de Melo Paes. Zé Reinaldo, como o chamamos, nome conhecido na medicina, tem destacada atuação na Sobrames. Seus sonetos e trovas são apreciados e aplaudidos. Reproduzo, para deleite de meus leitores, dois parágrafos dessa crônica poética que ele intitulou Anonimato. ?Caminhar pelo palco da vida sem jamais ter sido iluminado pelas luzes da ribalta... A felicidade está em ser ator, e não somente expectador. Em participar e não apenas observar. O maior mistério do universo é a vida. Vivê-la bem é desempenhar a mais complexa das tarefas?. E acrescentou: ?Descubra o seu caminho, lute por ele, seja qual for, e você será aplaudido. Jamais estará no anonimato aquele que vive intensamente. Basta apenas viver bem, cumprir o seu destino, ocupar seu lugar com propriedade, com harmonia?. Meus cumprimentos ao Zé Reinaldo. Na linguagem da sensibilidade você conduz à beleza indefinível da estética, ao renascimento da musicalidade.