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O denuncismo na selva de boatos

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No que pese a importância das bandeiras desfraldadas, muitas causas justas têm sido comprometidas em função do denuncismo de ONGs mais interessadas na notoriedade do que num esforço real pela solução das questões identificadas como as razões de suas existências. Infelizmente, visões apocalípticas e uma desmesurada ânsia pelos holofotes têm contaminado motivações da maior importância em diversas frentes de luta. Este é o caso da batalha, quase sempre mal compreendida e pessimamente encaminhada, nos últimos tempos, da causa indigenista. Os tempos do heroico Marechal Rondon pareceriam extintos da memória dos neoindigenistas que hoje parecem dispostos a ?entregar para não integrar?. As deformações teóricas assimiladas por legiões de ONGs que se dizem donas da Natureza (aí inclusos os índios) têm levado a artificialismos altamente problemáticos. Um episódio acontecido há cerca de um mês é elucidativo do quão superficial é o denuncismo dessas entidades. Em agosto, a mídia internacional foi sacudida com uma notícia assustadora: a ONG Survival denunciava o massacre de, pelo menos, 80 indígenas ianomâmis em território venezuelano, perto da fronteira com o Brasil. Depois de visitas aos locais indicados como cenários do ?massacre?, as instituições venezuelanas que trabalham com as comunidades indígenas declararam enfaticamente a improcedência de tal afirmação. E foram alvo de mais agressões, não faltando quem buscasse explorar a antipatia midiática típica do presidente da Venezuela. E a notícia foi tomando corpo, levando às áreas indicadas grupos de jornalistas e estudiosos dos problemas indígenas. Após quase um mês de apreensões e insistência na acusação, a ONG reconheceu que o ?massacre? não existiu. A esta entidade, pelo menos, deve ser dado um crédito: a dignidade de recuar e assumir o erro publicamente, ainda que o discurso reparador seja eivado de ?justificativas? para a mancada. Infelizmente, o afã denunciador, na maioria dos casos, ainda é a mola mestra que faz tremular de forma errada e desmoralizante bandeiras respeitáveis.

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