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Opinião

Matilhas ainda mais raivosas

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Não é o caso de considerar o fim do mundo, nem mesmo uma mudança de cenário geopolítico, mas o atentado perpetrado contra a representação diplomática dos Estados Unidos, no coração da Líbia ?libertada?, pode ser entendido como mais uma confirmação do crescimento da periculosidade política nas áreas apresentadas como palco vitorioso da ?primavera árabe?. A cada dia se reafirma quão inapropriado é o adjetivo cunhado pela grande mídia ocidental sobre os levantes que sacudiram (e ameaçam sacudir mais) os países muçulmanos popularmente conhecidos como ?árabes?. Em verdade, o ufanismo midiático para com os levantes arábicos se deu por questões ideológicas antigas, por sua vez ancoradas numa visão maniqueista de que, nos países liderados por adversários dos Estados Unidos, toda e qualquer oposição é necessariamente ?democrática?, ?do bem?, e quaisquer outros adjetivos. É mais ou menos como a situação atual no Líbano, quando a mídia e a diplomacia ocidental fecham os olhos às evidências de que os opositores de Bashar al-Assad lhe são, no mínimo, idênticos em termos de violência e concepção autoritária de poder e com um agravante: são ainda mais sectários em termos de religiosidade política. Nesta toada monocórdica, os governos ocidentais liderados por Washington prosseguem no apoio (político, financeiro e militar) a quem quer que se insurja contra um governante (especialmente muçulmano, mas vale para outras religiosidades) que não reze pela cartilha da Casa Branca. Nem a forma marginal, bárbara, adotada para executar o ?cão raivoso? Kadafi abriu os olhos dos líderes ocidentais para a evidência de que ladrava sobre os ossos do velho regime líbio uma matilha ainda mais raivosa que o exemplo canino antecessor. Será que o sacrifício de quatro diplomatas dos Estados Unidos, dentre eles o primeiro embaixador americano assassinado desde 1979, terá o condão de desanuviar o olhar dos líderes americanos e europeus sobre os riscos da mistificação intitulada ?primavera árabe?? Pelas declarações da oposição republicana, os olhos parecem ainda mais cerrados.

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