Opinião
Ambicionando um bicenten�rio digno
Dista de hoje a apenas um lustro o bicentenário da Emancipação de Alagoas. Cinco anos pode ser um tempo curto para quem deseja planejar um registro importante para algo. Qual seria o grande presente para Alagoas e para os alagoanos quando forem sopradas as 200 velinhas? Podemos dizer, sem medo de errar, ser a escapatória alagoana aos vergonhosos índices sociais exibidos neste 195º aniversário como ente independente na costura das unidades formadoras do Brasil. Alguns dos itens mais vexatórios lograram ser melhorados. Isto é verdade. Mas tão precária tem sido a condição social alagoana, especialmente nas recentes duas décadas, que esses avanços registrados nos últimos anos pouco ou nada conseguem representar frente às necessidades do povo de Alagoas. Pelos dados recentes do IBGE, ainda padecemos de 22,5% de analfabetismo entre maiores de 10 anos. Deixamos de ser o derradeiro Estado para ser o segundo pior em termos do rendimento médio mensal por domicílio. Dos índices da violência e da insegurança pública nem é bom falar. Mas deixemos, neste dia de festa, o remoer desses números vexatórios para outra ocasião. Por hoje, além de comemorar a data, deveríamos incentivar mais o debate sobre os planos alagoanos para o futuro, as metas perseguidas pelo Estado, os rumos estratégicos definidos para impulsionar o desenvolvimento local. Houve época em que um quinquênio era a principal referência de espaço de tempo para se buscar o atingimento de objetivos e metas para todo um conjunto de áreas de atuação. Não é o caso de ressuscitar o conceito dos ?planos quinquenais?, até porque nele há uma concepção de controle centralizado da economia que deixou de ter razões de ser antes da queda do Muro de Berlim. Mas é a oportunidade, de forma democrática e contemporânea, de buscar o engajamento dos poderes constituídos e da sociedade num projeto de desenvolvimento sustentável a ser cumprido neste intervalo. Alagoas merece que os alagoanos deem-se este presente. Mas se não for semeado agora não haverá nada de novo para colher daqui a cinco anos.