Opinião
DESABAFO (I)
A erosão das praias e o descaso com o saneamento são evidentes em Maceió. Há soluções técnicas, mas passam também por fazer com que moradores de outros bairros não só tenham na frágil orla, protegida por corais cada vez mais degradados e sem qualquer proteção, a única opção de lazer e de contato com a natureza. Por que não se recuperam áreas verdes da região do Tabuleiro, antes tão rica de vegetação? Sobrou quase nada, mas há ainda grandes latifúndios urbanos. Somente shopping e casas de materiais de construção? E a orla lagunar (a dos fundos da cidade)? A inexistência de parques em toda região metropolitana só implicará em mais degradação das orlas da Pajuçara e Ponta Verde. A Praia da Avenida tem lá a contribuição contínua e fétida do Salgadinho. Outrora, a praia das areias mais brancas e cristalinas de nosso belo litoral. Fazem monumentos e construções para esconder o que é de mais belo: o mar azul esverdeado único de Alagoas. Quer mais bonito? Como? Só o enfeiam com intervenções descabidas. Por que não constroem os morros artificiais nos bairros onde a maioria do povo vive e que precisa também reverenciar a história dos ilustres alagoanos? Por que não um teatro aberto com o nome do Djavan para se ouvir também um bom forró, que o atual prefeito dizia gostar? Há grotões, atualmente ocupados por populações de baixa renda em condições bastante precárias, onde se adequariam excelentes intervenções neste sentido, além da vegetação a fim de se evitar deslizamentos. Custaria bem menos do que outras obras realizadas que a poucos beneficiaram. Em lugares planos da cidade, os morros monumentos poderiam ter até um efeito de valorizar os bairros apinhados de casas e sem belezas naturais. Noutra área com um morro daquele da Pajuçara até que não seria má ideia... Tudo isto clama por maior conscientização de todos e, máxime, por parte dos atuais e futuros gestores públicos, muitos deles desafinados com o interesse da comunidade e preocupados apenas com a preservação ou tomada do poder por meio de eleições a cada dois anos que se tornaram, por isso, nos horizontes máximos da visão e planejamento para fins apenas eleitorais. É um porre de democracia exclusivamente de curto prazo que só deseduca e tira sossego de todos por campanhas que parecem mais zombar de nós, os eleitores, de tanta poluição sonora e visual. Até quando?