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Opinião

UMA LI��O DO MENSAL�O

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Não é intento meu tecer aqui considerações a respeito do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do assim chamado ?mensalão?, amplamente divulgado pela imprensa escrita e pela TV. Gostaria apenas de mostrar, para nossa juventude, que esta lei de cotas raciais é um ?tiro no pé?, porque vai provocar desnível de qualidade para as universidades federais, em confronto com as boas escolas particulares de ensino superior, que admitem o aluno pelo critério do mérito e não pela cor de sua pele. O importante é que o ensino fundamental e médio das escolas públicas, que se supõem serem dos pobres, rivalize em eficiência com o das escolas particulares, supostamente frequentadas pelos ricos. O exemplo é do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, que apesar de algum ?bate-boca? com o revisor Ricardo Lewandowski, vem se mostrando de competência inigualável. Quem é Joaquim Barbosa? Responde-me um ex-aluno meu do Salesiano. Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, cidade do noroeste mineiro. Foi o primeiro de oito irmãos. Seu pai era pedreiro e sua mãe, dona de casa. Passou a ser arrimo da família quando os pais se separaram. Aos 16 anos, foi para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e assim terminou o 2º grau, sempre em escolas públicas. Obteve bacharelato em Direito na Universidade de Brasília, onde a seguir obteve mestrado em Direito do Estado. Foi oficial de chancelaria no Ministério das Relações Exteriores de 1976 a 1979, tendo servido na embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia, e, depois, advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Prestou com êxito o concurso público para procurador da República, mas licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido mestrado e doutorado em Direito Público na Universidade de Paris de 1990 a 1993. Retomou o cargo de procurador da República no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a Uerj. Foi ?visiting scholar? de Direitos Humanos no Instituto da Faculdade de Direito da Universidade Columbia de Nova York de 1999 a 2000 e, depois, na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law de 2002 a 2003. Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, Inglaterra, Estados Unidos, Áustria e Alemanha. É fluente em inglês, francês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade. As más línguas dizem que seus elegantes ternos são confeccionados por alfaiates de Paris e Nova York... Este homem não precisou de cotas raciais ou sociais para chegar onde chegou.

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