Opinião
Quem tem medo do foco verdadeiro?
Tema tão sensível como trágico, a recorrência de um mesmo tipo de assassinato faz por merecer abordagens menos ideologizadas e centradas num esforço de prevenção contra esse tipo de delito. A cena tem se repetido com assustadora frequência, envolvendo gays do gênero masculino: o parceiro mais identificado preconceituosamente como ?michê? assassina seu companheiro (eventual, ou até numa relação mais estável). Tamanha é a replicação desta mesma cena que cresce a sensação sobre a impropriedade e os prejuízos da usual classificação deste tipo de homicídio como produto da homofobia. Ora, ao se abordar o crime por essa ótica, o esforço preventivo leva a campanhas contra a intolerância ao homossexualismo e a favor do pleno aceitamento da opção sexual do próximo. A homofobia violenta tem se manifestado no Brasil, normalmente, em grandes centros urbanos como São Paulo, onde casais do mesmo gênero têm sido brutalmente agredidos por gangues homofóbicas. São atos de terror gratuito, usualmente cometidos em espaços públicos como forma de acintosa condenação a casais do mesmo gênero que demonstrem relações afetivas, ou mesmo a pessoas isoladas que sejam identificadas como gays. O que tem ocorrido com terrificante frequência em Alagoas é outra coisa: Um parceiro mata o outro; ambos são do gênero masculino; a vítima normalmente é, na dupla, o de melhor poder aquisitivo; o criminoso é, na maioria das vezes, aquele que se apresenta como o ?ativo? (segundo um critério hoje considerado, por muitos, politicamente incorreto, mas ainda presente). Quem prestar atenção aos fatos registrados, comprovará o mesmo resultado, em termos dos perfis do crime, da vítima e de quem é apontado como o criminoso. A responsabilidade cidadã exige dos poderes públicos e das entidades não governamentais o abandono da equivocada tese do ?crime homofóbico? e o enfrentamento direto e urgente, preventivo, deste tipo de homicídio que avança assustadoramente entre os gays masculinos.