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Opinião

O PRECONCEITO E AS COTAS RACIAIS

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Recentemente, um procurador da república entrou com uma ação na justiça pedindo a retirada de circulação do dicionário Houaiss. Para ele o verbete ?cigano? é preconceituoso e xenofóbico. Já um tal Instituto de Advocacia Racial e Ambiental e um pesquisador de gestão educacional contestam parecer do Conselho Nacional de Educação que liberou a adoção do livro ?Caçadas de Pedrinho?. Dizem que Monteiro Lobato era racista e o livro não deveria ser indicado nas escolas porque Tia Nastácia é chamada de negra. Ninguém nega que o racismo exista, porém ele não existe apenas contra negros, mas de negros contra brancos, destes contra os pardos, de pardos contra os negros e onde quer que se encontrem presentes as irmãs gêmeas ignorância e estupidez. Somos uma nação de mestiços e não arrisco a dizer que no Brasil alguém não tenha nas veias sangue de branco, negro ou índio. Raça não é um conceito biológico mas sim ideológico. O sistema de cotas raciais contraria o preceito constitucional da igualdade, afronta o mérito e gera a discórdia. Nos Estados Unidos, as cotas foram criadas porque, lá, o racismo era previsto em lei. Aqui o preconceito é outro. Negro, branco, gay ou hetero, feio ou bonito, deficiente ou não, se você tem dinheiro abrem-se todas as portas e estendem-se os tapetes vermelhos. Circula na internet uma carta aberta ao procurador, sugerindo que ele mande retirar também dos dicionários o verbete ?mulato?, que se origina do nome ?mula? ou mande suprimir nos livros de Física a expressão ?buraco negro?. Que tal acabar com as expressões ?deu um branco?, ?humor negro?, ?ver as coisas pretas?, todas com conotações altamente ofensivas por esta mesma ótica? Esquecemos que somos todos seres de uma mesma gênese, um mesmo universo? Não somos brancos, negros, pardos, amarelos, feios, bonitos, hétero, homossexuais, gordos ou magros. Somos simplesmente humanos e classificar as pessoas pela raça não difere do que fizeram os nazistas. Ao pretexto de defender medidas garantidoras de igualdade social agimos como agentes e promotores de desavenças sociais. Ocorre que é mais fácil e dá menos trabalho instituir cotas do que melhorar a qualidade das escolas públicas de ensino fundamental e médio. Como afirmou Edgar Allan Poe: ?É de se apostar que toda ideia pública, toda convenção aceita seja uma tolice, pois se tornou conveniente à maioria?.

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