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LIBERDADE DE EXPRESS�O E INTOLER�NCIA RELIGIOSA

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O escritor Salman Rushdie lançou essa semana as suas memórias com grande repercussão internacional. Seria mais um acontecimento no mundo das letras, não fora o caso de se desconhecer onde Rusdhie vive e de sua cabeça estar a prêmio por mais de 3 milhões de dólares, somente por ter escrito outro livro, Os Versos Satânicos, onde dá uma visão pessoal das visões do profeta Maomé. A latere, um filmeco de extremo mau gosto, veiculado pela internet, considerado ofensivo ao profeta, novamente incendiou o Oriente Médio : perseguições, invasões, depredações de embaixadas ocidentais e grave instabilidade geopolítica, em uma região das mais complicadas e críticas do planeta. Para complicar, um semanário humorístico francês publicou charges consideradas ofensivas pelos muçulmanos fundamentalistas. A história da intolerância religiosa é extensa. No ocidente, começou em Roma com a perseguição dos primeiros cristãos pelos judeus e pagãos. Antes do fim do Império Romano, os judeus passaram de algozes a vítimas, o que se acentuou com a chegada da Idade Média e a Inquisição, quando passaram a ser o alvo principal da perseguição religiosa. Essa perseguição só cresceu e disseminou-se pela Europa: progroms na Rússia ; sangrentos exodus continentais , culminando na Segunda Guerra mundial, com o Holocausto. A França tornou-se historicamente o epicentro dessas perseguições: casos como o de Alfred Dreyfus tornaram-se referenciais . No Brasil existe extensa vivência de perseguições religiosas, e esta é uma questão sempre altamente instável, como agora na eleição para a Prefeitura de São Paulo,que ameaça ser contaminada por uma guerra santa entre católicos e evangélicos, tal como ocorreu na Reforma Protestante. No oriente, os governos americano e francês se equilibram entre exaltar a importância da liberdade de expressão e exprimir o respeito à religiosidade islâmica, mesmo que extremada, dos manifestantes fundamentalistas. Comte alertava que a liberdade consiste em fazer tudo que não prejudica o outro. Todavia, a liberdade de expressão é uma conquista inalienável da democracia e do estilo de vida ocidentais: Rousseau avisava que a liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada. Deve-se respeitar a cultura muçulmana, mas sem ameaças e restrições a liberdade de expressão, tão indispensável a nós.

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