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Nº 5710
Opinião

68 anos de vit�rias

A GAZETA DE ALAGOAS, ao completar, nesta data, 68 anos de profícua  existência, oferecendo sempre o melhor padrão jornalístico e gráfico à sociedade alagoana, mesmo quando tem  de enfrentar sucessivas crises econômicas do País, mantém-se com o vigor da su

Por | Edição do dia 25/02/2002 - Matéria atualizada em 25/02/2002 às 00h00

A GAZETA DE ALAGOAS, ao completar, nesta data, 68 anos de profícua  existência, oferecendo sempre o melhor padrão jornalístico e gráfico à sociedade alagoana, mesmo quando tem  de enfrentar sucessivas crises econômicas do País, mantém-se com o vigor da sua jovialidade, como determinou o  senador Arnon de Mello, a quem a empresa deve a revitalização de suas estruturas física e editorial e, em especial,  o ingresso na caminhada ascendente  de atualização tecnológica, com a visão  voltada para o futuro. Anualmente, nesta data, pode-se divisar a satisfação no semblante de cada um dos que integram os quadros gazeteanos, que ajudam na tarefa dignificante de levar a todos os recantos do Estado, logo cedo e, via Internet, aos quadrantes do mundo, a notícia real, expressada na sua especial feição gráfica, própria de um matutino de maior circulação nas Alagoas. Ao mesmo tempo, como veículo de informação precisa, creditado e acreditado por toda a população do Estado, a GAZETA não tem se acomodado, procurando registrar aos seus leitores, as situações de miséria, de fome, da falta de saúde, de educação e de segurança com as quais muitas vezes se deparam os seus repórteres. O bom combate, em favor do Estado e do seu povo, é a principal diretriz  deixada por Arnon de Mello para a GAZETA DE ALAGOAS, hoje seguida e mantida, rigorosamente, pelos seus sucessores. O trabalho diurno e incansável que é realizado pelos editores, jornalistas, repórteres, colunistas, diagramadores, gráficos e todo o pessoal de apoio, para levar o melhor produto às mãos de cada leitor, é amplamente reconhecido pela sociedade alagoana ao dar preferência incondicional, escolhendo a GAZETA DE ALAGOAS como a sua primeira leitura diária. Nas horas mais difíceis, quando o Estado sofre as asperezas das secas inclementes, dizimando rebanhos e, inclusive, vidas humanas, ou das enchentes catastróficas e destruidoras, a GAZETA DE ALAGOAS faz-se presente logo nos primeiros instantes, clamando por socorro, registrando as ocorrências para que as comunidades atingidas possam ser atendidas e, ainda, promovendo campanhas para arrecadar donativos. Da mesma forma, nos momentos de lazer, de alegria, de confraternização dos alagoanos, no Carnaval, na Semana Santa etc. e, em particular, no esporte, a GAZETA DE ALAGOAS está presente colhendo a notícia para transmitir com fidelidade nas suas páginas. Por tudo isso, ao comemorar o seu  68º aniversário, sempre em busca da  qualidade, a GAZETA DE ALAGOAS, que já está consagrada como um patrimônio do povo alagoano, deve orgulhar-se de contabilizar toda uma  existência vitoriosa. Canal do Salgadinho (I) VINÍCIUS MAIA NOBRE * Falar sobre o Canal do Salgadinho é voltar ao passado, coisas de seis décadas atrás, quando o Vale do Reginaldo era praticamente virgem, coberto com capoeira e água clara e limpa no verão. Poucas casas ocupavam as margens do riacho e quem morava como eu, em sítios que chegavam até lá, era divertido explorá-lo com outros companheiros de infância, nas vãs tentativas de se chegar à sua nascente. Maceió cresceu e reservou as áreas mais difíceis e insalubres para moradia dos pobres e desassistidos que aqui chegavam e ainda chegam. O Vale do Reginaldo também foi ocupado sob as vistas complacentes dos administradores municipais e da so-ciedade. Suas encostas ficaram nuas de vegetação, os esgotos a correr a céu aberto ou mesmo canalizados vão para a calha do riacho, sua bacia constantemente impermeabilizada pelas construções e pavimentações de ruas foram contribuintes para a sua morte nos verões (não esquecendo a su-perexploração do aqüífero de Maceió) e enchentes calamitosas nos aguaceiros. É a conseqüência do aumento da parcela do escoamento superficial. Quando o Reginaldo começa sofrer a influência das marés, nas imediações da antiga Rodoviária, suas águas tornam-se salobras e muda de nome para Salgadinho. Deveriam suas margens estar cobertas de vegetação característica de mangue e, como acontecem no nosso hemisfério, os rios em sua foz tendem a tomar a direção sul e ele não fugia a regra. O Salgadinho espraiava-se pela planície costeira, por traz da atual Escola Técnica, passava sob a ponte férrea e tomava suavemente a direção sul, passando pelos quintais da Rua Silvério Jorge, margeava à Praça Sinimbu onde, sob uma ponte que ainda se encontra lá, ia seguindo seu curso natural dividindo à antiga Praça Napoleão Goulart (hoje desaparecida), Clube Fênix e os quintais da antiga Rua da Praia. A partir do oitão da atual “Lojas Americanas” em direção ao Sobral, seu destino final, corria o nosso riacho paralelamente à praia e Rua Zacarias de Azevedo, cujos imóveis, pelos fundos, limitavam-se em suas margens. Maceió naquela época não tinha um metro sequer de rede de esgotos. Em áreas mais altas, predominavam as fossas como destino final dos esgotos domésticos e nas baixadas, onde o lençol freático é bem superficial, eram eles lançados in natura nos riachos, canais da lagoa, terrenos baldios, e, como não podia deixar de ser, o Salgadinho era também depositário de tudo quanto era dejeto. A Praia do Sobral, pouco habitada e famosa pela vizinhança com a favela do Ouricuri, ventos nordestes fortes condutores das areias de suas dunas, mar aberto, com predominância de grandes ondas e correntes perigosas, era pouco freqüentada, mesmo porque, próximo a ela e muito mais perto de todos, estava a famosa e mais bonita das praias que conheci, a Praia da Avenida. Os arrecifes protegiam-na como também no ancoradouro de Jaraguá. No governo de Osman Loureiro constrói-se o cais do porto e mais destacada fica a nossa praia. Servia a todos, dos ricos que tinham suas casas de veraneio, aos pobres de outros bairros próximos, campo natural das grandes peladas formadores dos craques da época, palco dos desfiles de Carnaval, dos banhos de mares à fantasia, das paradas militares e estudantis. É a praia cujas águas azuis mereceram de Edmilson de Vasconcelos Pontes uma crônica (GA 30/01/93) onde se destacam... “Eu me lembro, eu lembro (como te compreendo Cassimiro de Abreu, por ter passado o que passaste!), era pequeno... O mar da Avenida da Paz, nas claridades do amanhecer, ostenta o azul que me fascinou, criança ainda, e que jamais se apagou da memória, o mais belo azul do mar... companheiro inseparável para toda a vida...”, e finalizando aquela belíssima crônica do engenheiro, professor e um dos maiores matemáticos de Ala-goas, escreveu... “Um dia me veio a idéia e o plano em seguida. Levar para casa, numa garrafa, o azul do mar. Mas, qual! Na concha da pequenina mão a água não tinha cor... E eu perguntei à minha mãe, nesse momento, Cassimiro, onde estava o azul do mar... E, levantando os olhos para o azul do céu, minha mãe me respondeu: meu filho, o azul do mar é o azul do céu, é o azul de Deus”. Vem a década de 40. Passado o período da interventoria Guedes de Miranda, assume o governo do Estado o governador eleito Silvestre Péricles de Góes Monteiro. Em curso uma campanha surda mais consistente dos moradores vizinhos do Salgadinho. Os esgotos, principalmente os sólidos, a boiar, ao sabor do vaivém das marés, os incomodam. Eles têm poder de pressão. Inicia-se então o plano do desvio do riacho e conseqüente canalização para o que hoje conhecemos como Canal do Salgadinho. (*) É ENGENHEIRO

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