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Democracia n�o existe sem respeito � Justi�a

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Não restam dúvidas que é de morte a situação material do Instituto Médico Legal. Não se discute também o direito dos médicos legistas e de todos os demais servidores lutarem por salários maiores. Mas a Lei não pode ser desrespeitada, nem mesmo considerando os méritos da mobilização dos que labutam no IML. O que está em jogo não é a empatia da cena de prisão de um sindicalista. Para alguns parecerá antipática, outros talvez a vejam como simpática, afinal os julgamentos da opinião pública sempre são extremamente variados. Os sindicalistas verão um de seus insignes membros entre as grades como uma reedição da ditadura; já os parentes e amigos dos corpos que apodrecem nas pedras imundas do IML em função dos protestos dos legistas poderão enxergar essa detenção como algo muito brando. Mas o que está em jogo é o respeito à Justiça. Simples assim. As decisões judiciais não estavam apenas sendo desrespeitadas num momento de emoção grevista, mas a afronta ao TJ, contraditando o posicionamento da autoridade judicial emitido desde sábado, assumiu o incontornável perfil de uma provocação deliberada. Caso o TJ não fizesse valer sua decisão, desmoralizar-se-ia inapelavelmente. A democracia exige o respeito aos poderes constituídos e, perigosamente, os ditos movimentos sociais vêm ultrapassando os limites com assustadora frequência, como no caso da depredação do veículo oficial onde estava o presidente do TJ durante uma manifestação dos sem-terra. A justeza das bandeiras dos médicos legistas não os autoriza a fazer uma necropsia no Poder Judiciário, pela simples razão de que este está vivo. E saudável. Ao relaxar no enfrentamento aos movimentos grevistas, segundo informações extra-oficiais ?anistiando? por conta própria multas aplicadas pelo Poder Judiciário, o Poder Executivo tem dado uma nefasta contribuição ao espalhamento da noção de que quem protesta ?tudo pode?. Enfim, já passava da hora de nossos bravos sindicalistas saberem que nem tudo é permitido.

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