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Fazer os tempos

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GILBERTO DE MACEDO * Seres humanos que somos, não havemos de, jamais, ficar de braços cruzados passivamente à espera que os acontecimentos ocorram. É da natureza mesma do Homem. Pois dotado de uma organização mental que põe em comunicação com o mundo ? físico, e social ? desse modo, levando-o a tomar conhecimento da realidade, e daí encetar ações dirigidas para uma finalidade objetiva, justa e necessária. Ações construtivas. É ação transformadora diante do próprio tempo. É a atitude verdadeira da própria condição humana. Sem titubeios. Sem medo. Sem empáfia. Sem arrogância. Com naturalidade. Sem artifícios. Com a integridade da pessoa. Da individualidade a personalidade. A unidade do ser! Assim, construir o tempo. Tempo biológico. Tempo psicológico. Tempo social. Tempo histórico. É a metamorfose: do tempo físico ao tempo filosófico! Fazer do tempo um aliado, jamais colocar-se contra. Pois, como diz um provérbio da ilha de Martha: ?O tempo dá bons conselhos?. Unir-se, pois, ao mesmo, para, aproveitando-o, usar a serviço das transformações ? humanas e sociais ? necessárias. Essa é a conduta inteligente do Homem para o bem que se deseja. Atitude sensata, racional e até sábia. É que inovar, corrigindo erros; e criar, novas imagens e novos fatos, é de índole do ser humano, que o distingue essencialmente do animal. E assim, é dele tomar iniciativas para, a cada hora, a cada dia, a cada passo, poder reconstruir a vida, a sociedade, o mundo. Pois, já dizia o filósofo Carlyle: ?Quem não faz nada, não sabe nada?. É que, ainda, não somos meros objetos biológicos, apenas jogados no mundo, senão sujeitos, ativos e revolucionários, estruturados no tempo. Participantes, e não espectadores. Como diz aquela música empolgante do jovem mártir Vandré: ?Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...? Fazer a hora, sim, é, com sinceridade, dignidade e respeito social, tomar iniciativa para melhorar a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, enfim, as justas condições de vida. Fazer os tempos, pois. Não foi ontem, que já passou, nem esperar para amanhã, que ainda não chegou. Mas, aqui e agora, como Guimarães Rosa diz: ?O real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia?. Assim, conduzir, e se conduzir, no espaço das atribuições pessoais, sociais e legais, apoiado nos valores que definem direitos e deveres, é missão do Homem. Não se conformar jamais com a rotina da injustiça, dos erros, dos males, senão reivindicar o bem, a justiça, a felicidade, sejam quais forem as circunstâncias da sociedade. Como bem proclamavam os estudantes franceses daquela bela ação política de 1968: ?Seja realista, exija o impossível?. É que o impossível não deve existir, não tem sentido, quando se trata de fazer o Bem. É esse o verdadeiro espírito revolucionário. Mas o tempo não espera, e é rápido. Num abrir e fechar de olhos, como se diz, ei-lo que passa. Como diz o poeta Pablo Neruda: ?... amanhã é ontem?. Assim, toda urgência, logo para fazer o tempo pessoal: fazendo o destino refazendo-se, corrigindo-se. E o tempo social, da vida comunitária ? na família, na sociedade em geral, para que haja felicidade. Significa fazer o tempo da democracia autêntica, real, verdadeira. E fazer o tempo com esperança e confiança, certo de que, conforme canta a música, também revolucionária de Chico Buarque: ?... amanhã, há de ser outro dia?. Sim, feito pela revolução. Esta é, pois, dever de todos, de acordo com a sábia lição de Goethe: ?Não basta saber, é preciso também aplicar, não basta querer, é preciso também fazer?. Isto mesmo. Fazer os tempos! Fazer história! É o grande compromisso do Homem. (*) É MÉDICO

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