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Opinião

COM O QUE NOS OCUPAMOS?

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No Evangelho de São Marcos, no capítulo 9, versículo 33, ao chegar à cidade de Cafarnaum, Jesus pergunta aos seus apóstolos o que eles vinham discutindo pelo caminho. Diante do questionamento do Mestre, os doze se calam, pois estavam debatendo quem seria o maior (cf. Mc 9,34). O questionamento de Jesus aos seus apóstolos se dirige também aos cristãos de hoje. Em que e com que os cristãos se ocupam no dia a dia? Para onde estão voltados os seus sentimentos, pensamentos e ações diárias? Será que o centro de onde emana a vida cristã é, de fato, o Cristo crucificado e ressuscitado? As respostas para essas perguntas refletirão dois estilos de vida, dois caminhos assumidos. O primeiro é aquele da cruz, da renúncia. O segundo seria o das facilidades, da vida cômoda, descomprometida com grandes ideais. Nos capítulo anterior ao supracitado, Jesus havia feito uma proposta aos seus discípulos. Quem quisesse segui-lo, deveria renunciar ao seu modo estreito de ver a própria vida, assumi-la com suas dores e alegrias na fidelidade ao projeto de Deus para cada pessoa (cf. Mc 8,34s). Este seria o caminho da cruz. E quem segue o caminho da cruz ganha a verdadeira vida porque compreende a sabedoria de Deus, a lógica por intermédio da qual Ele guia os caminhos da história humana. E essa sabedoria nos ensina que o segredo de uma vida bem vivida consiste em ser fiel até a morte aos ideais abraçados, assim como Cristo o foi. Somente nessa fidelidade, ressuscita-se já aqui para um modo de ver e viver novos, e nasce-se para a vida eterna. O outro modo de viver é o da sabedoria desse mundo: vã, fútil, pueril. É a lógica do salvar a pele a todo custo. Sabedoria que tem medo dos desafios, que capitula diante das pequenas mortes, incapaz de renunciar para viver de verdade. Quem assim vive, jamais enxergará e experimentará o Reino. Dois estilos, duas propostas, enfim, dois caminhos. Mas somente um capaz de conceder a vida em plenitude. O jeito de sentir, pensar e agir de cada cristão é consequência de um dos caminhos assumidos por ele. O jeito de viver do cristão, as ocupações de sua mente e de seu coração revela se, de fato, o cristão segue o seu Mestre e Senhor, crucificando o homem velho para ressuscitar homem novo. Com o que, afinal, nos ocupamos?

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