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Pressionando a v�tima no lugar do algoz

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Se considerássemos sumido do mapa o Estatuto da Criança e do Adolescente, ainda assim seria escandalosa a atitude da polícia alagoana em abordar e revistar estudantes menores de idade como se delinquentes fossem. E o mais absurdo: esse constrangimento foi cometido dentro do estabelecimento de ensino! Trata-se do total desconhecimento do disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente e de uma completa inversão de valores acerca de quem deve ser protegido e quem deve ser investigado. Ao ?passarem o pente fino?, de forma indiscriminada, num grande número de estudantes (se não todos) de uma escola aterrorizada por gangues em sua redondeza, a polícia alagoana demonstra não ter capacidade de distinguir entre quem é suspeito de banditismo e quem está sendo ameaçado. Sobre que base de informações estão atuando nossos agentes da lei? Será que o entorno da Escola Estadual Geraldo Melo é totalmente desconhecido por nossas polícias? Este alheamento parece conduzir ao atabalhoamento, ao ponto de as vítimas (os estudantes) do banditismo reinante na área serem consideradas como potencialmente suspeitas e, em kafkiana solução, serem alvo da ação policial em substituição a quem verdadeiramente lhes ameaça cotidianamente. Outra pergunta que não pode ser calada: por que a direção da escola e as demais autoridades educacionais estão a permitir tamanha intromissão sobre o ambiente escolar? Muitas deverão ser as tentativas de explicação. Notas oficiais sobrepor-se-ão, certamente, na vã tentativa de dar algum sentido aos fatos e às imagens que, documentadas in loco pela Gazeta de Alagoas chocaram todas as pessoas que respeitam os direitos elementares das crianças e dos adolescentes. Mas, mais do que posicionamentos laudatórios, o que interessa é a demonstração prática, insofismável, de que a polícia voltar-se-á, a partir de agora, para a proteção e não para o constrangimento dos estudantes alagoanos. Esta é a lição de casa que se pode esperar das autoridades policiais e educacionais de Alagoas.

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