Opinião
A PERMANENTE REINVEN��O DO R�DIO
Um velho companheiro de milhões de brasileiros completou, ontem, 90 anos. Apesar do Dia do Rádio ser 25 de setembro, foi no dia 7 de setembro de 1922, que um discurso do presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da Independência, marcaria a primeira transmissão oficial de rádio no Brasil. A história do rádio no País começara, na verdade, em 1893, quando o sacerdote e cientista gaúcho Landell de Moura transmitiu um sinal de voz à distância, sem auxílio de fios. O padre antecipou-se, assim, ao italiano Guglielmo Marconi, considerado no mundo o inventor do rádio. A primeira emissora, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, só iria surgir em 1923, pela perseverança do médico e professor Roquette Pinto. Desde então, o rádio viveu tempos de dificuldades e de glórias. Os anos 20 e 30, marcados pela tecnologia precária, assinalam as primeiras concessões de canais e o início da publicidade na programação. Nessas nove décadas, pela voz de milhares de comunicadores, o rádio participou das transformações do País, contou a história de seu povo e colaborou para o fortalecimento da identidade nacional e da democracia. Suas contribuições são inúmeras e fundamentais nos campos econômico, social, político, cultural e educacional. Hoje, o rádio está presente em nove de cada dez domicílios, segundo o Target Group Index, do Ibope Media. O rádio ganhou aliados para expandir seu alcance como telefones celulares, Ipod?s, MP4 e tablets. O mesmo levantamento do Ibope Media indica que 8% ou 4,2 milhões de pessoas, com idade entre 12 e 75 anos, escutaram rádio pela internet no último mês. O percentual chega a 11% entre os jovens de 12 a 24 anos. Se, de um lado, a popularização da internet e das novas mídias amplia a concorrência, de outro, temos certeza de que permitem que o rádio vá mais longe, conquiste mais ouvintes, atraia novos anunciantes. Porém, há questões relevantes a serem resolvidas. Uma delas é a flexibilização da transmissão da Voz do Brasil, programa que tem a sua importância, mas que não pode manter-se como uma imposição às emissoras e aos ouvintes. Outra é a definição do padrão digital pelo Ministério das Comunicações, aguardada para este ano. Mas tão ou mais importante que esta é a migração das rádios AM, afetadas por interferências crescentes, para a faixa de FM. A medida já está em estudo no Ministério das Comunicações.