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Quem, afinal, vai pagar as contas?

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Finda-se mais uma greve de bancários. As avaliações sobre os resultados do movimento, certamente, enaltecerão as conquistas das classes trabalhadoras e os banqueiros, se não sorrirem pelo desfecho, certamente não chorarão pelo que tiveram de ceder. Ao fim e ao cabo, o velho e eficiente sistema bancário, uma das marcas registradas da modernidade, encontra saídas para preservar suas taxas de lucro. E, justiça seja feita, não são apenas os banqueiros que bebem dessa farta fonte, pois toda uma teia agregada de elementos financeiros, além de (obviamente) seus investidores e acionistas sorvem da lucratividade adiposa que caracteriza o setor. Os bancários foram à luta e dela retornam com seus quinhões seguros nos embornais. Não serão grandes coisas esses ganhos, mas são conquistas obtidas com muita luta, em batalha na qual as agruras do público usuário são sempre consideradas como ?parte do processo?. O usuário que sofre na unha do usurário pena mais ainda nos tempos de greve, pois os serviços lhes são subtraídos num passe de mágica (somem as cédulas nos caixas eletrônicos, por exemplo). Os companheiros grevistas, calejados, não só se desapiedam dos castigos impostos ao cliente como chegam a considerar que os gemidos desses sofredores terminam auxiliando a luta sindical por maiores salários. Tamanho é o abandono desse imenso público que nem mesmo a redução da taxa de juros imposta pelo governo federal é alvo de dribles por parte do sistema bancário. Este é o caso, independentemente de greve, do aumento brutal das tarifas cobradas pelos serviços. Desde janeiro, esses emolumentos sofreram crescimento de até 191%. É o caso do simples fornecimento de extrato mensal, que, em média, pulou de R$ 2,48 para R$ 3,71 (um salto de 49,5%). Segundo os estudos realizados, de uma lista de 45 tarifas, dez saltaram para o alto. Outro caso: pagar contas utilizando a função crédito em espécie passou de R$ 7,9 para R$ 15 (subiu 89,8%). E assim caminha a humanidade, afinal, alguém tem de pagar a conta.

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