Opinião
UM OLHAR SOBRE A EXPOSI��O DE MANUEL DI�GUES JR.
Por ocasião das comemorações do centenário de nascimento do escritor, antropólogo, pesquisador, folclorista e sociólogo Manuel Diégues Jr., a Fundação Pierre Chalita apresenta uma exposição ímpar à comunidade alagoana, isto porque a mesma permite, ao mesmo tempo, a possibilidade de se conhecer parte do rico acervo de arte popular da Fundação Chalita disposto de maneira didática e apreciar, também didaticamente, um pouco da vida do grande escritor, por meio de grandes painéis fotográficos com textos selecionados por sua filha, a antropóloga Madalena Diégues. O rico acervo da Fundação confere o tom da pluralidade cultural tão bem explorada nas palavras do escritor, que nos faz, como através de espelhos, percebermos nossas raízes do açúcar por intermédio de seus livros que retratam esta ligação sistêmica. O olhar sobre o ?eu? que se torna ?nós? quando percebido pelo coletivo que se vê refletido na arte popular. O reconhecimento do conceito formulado e refletido na exposição é esta possibilidade de se ver retratado tanto nos livros do autor como na própria arte popular. É o Homo faber que se vê e reconhece pela materialização de suas obras. A exposição, portanto, mostra também esta pluralidade que homenageia o escritor, seja com o acervo de arte popular da Fundação; com a coleção particular de objetos que pertenciam ao escritor; exemplares de suas obras literárias; obras de artistas locais e apresentação de cordelista. Ímpar por sua particularidade e plural porque com a arte popular se abre às diversas manifestações que dialogam para homenagear Manuel Diégues Jr. Do cordel rico em variações, da cor pura que se repete com singeleza e grafismos às cerâmicas e ex-votos que reverenciam a cultura através de seu grande escritor e defensor. A instalação de um totem de cordel homenageia e reverencia o escritor em toda a sua magnitude e contextualiza-se, ludicamente, ao espaço cercado por arte. Por fim, é a grande dama da cultura alagoana, Solange Chalita, que nos presenteia com este evento cultural, perpetuando a labuta diária em prol da arte e cultura de seu eterno Pierre Chalita, que inclusive também se faz presente com grande painel fotográfico de retrato de Manuel Diégues Jr., pintado por ele, cujo original encontra-se no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Portanto, por seu caráter didático, informacional, de riqueza visual e questionador, a exposição é imperdível!