Opinião
OFENSIVAS RELIGIOSAS E IDEOL�GICAS
Não é de hoje que, em nome da fé, mal compreendida e de interesses ideológicos, se levantem fanáticos e por meio da violência tentem impor-se. A história está recheada de fatos lamentáveis deste tipo. Vimos, nos últimos dias, uma revolta sem tamanho, diante de um filme e de sátiras contra Maomé. É verdade, não havia necessidade de provocação, colocando combustível nesta fogueira nenhum pouco santa, mas é triste ver uma reação tão violenta e raivosa em nome de uma fé, e pior, motivada por líderes religiosos. Imposição, medo e violência só servem para oprimir quem já está amarrado, mas jamais para servir de testemunho aos de fora. Revidar pela força não é o caminho. De fato, sempre onde a ignorância reina, sempre tem algum líder querendo se impor, seja pela força das armas, seja pela força das palavras. E isso não é só no islamismo, mas também no cristianismo, budismo, sincretismo, espiritismo; na política e em qualquer relação social. Milhões já tiveram suas vidas martirizadas ao longo da história, em nome de ofensivas que se diziam religiosas, mas que nos bastidores se empenhavam pelo poder, por um outro ?deus?. Basta conhecer um pouco da história. Poderia citar as perseguições aos primeiros cristãos pelos imperadores romanos em busca de mais áreas de domínio que ora apoiavam, ora perseguiam, conforme conveniência. Não dá para ignorar o idealismo que mobilizou a II Guerra Mundial, comandada por Hitler em sua perseguição (falsamente em nome da fé) aos judeus. Onde o puro e simples fundamentalismo impera, sempre haverá escravidão e guerra. O sábio Salomão, há séculos, concluiu: ?Tudo o que aprendi se resume nisso; Deus nos fez simples e diretos, mas nós complicamos tudo? (Eclesiastes 7.29). Até Pedro, discípulo de Jesus, por incompreensão e raiva, sacou a espada e partiu para cima dos inimigos. Ao que o mestre lhe repreendeu: ?Guarde esta espada, pois quem usa uma espada será morto por uma espada?. Concordo com meu colega Edgar Lemke: ?Deus não precisa de defensores, mas de testemunhas!?. O maior problema humano é o pecado, é ele que complica tudo, torna-nos orgulhosos e nos impede de conhecermos a simplicidade de Deus (2ª Coríntios 10.5). Enquanto não deixarmos Deus ser Deus, sempre as ofensivas vencerão e ceifarão vidas. Isso não significa que devemos nos calar e deixar que sejamos pisados, mas tolerância e prudência resumem a oração do maior Mestre e Salvador: ?Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem?.