Opinião
O doce e o amargo da cana alagoana
Com toda razão, causou rebuliço em Alagoas a notícia da falência, decretada pela Justiça estadual, de um dos mais expressivos grupos sucroalcooleiros alagoanos. Além de poderoso em Alagoas, o Grupo João Lyra tem presença marcante em Minas Gerais, para onde exportou tecnologia, carreou investimentos e oferta empregos. Trata-se de uma questão de relevância para além dos limites territoriais alagoanos. Discurso fácil, o libelo acusatório contra ?o usineiro?, feito durante décadas, mascara com o preconceito social a realidade econômica alagoana, onde o setor sucroalcooleiro ainda é, de longe, o mais importante grupo de elos da corrente produtiva. Independentemente de quem considera a usina um bem ou um mal, é incontornável uma verdade: pior seria sem as usinas. Quando uma usina alagoana fecha seus portões isto significa, no primeiro momento, milhares de desempregados na fábrica e nos campos; nos momentos subsequentes, o silêncio das moendas grita a decretação da quebradeira para centenas de fornecedores (multiplicando o desemprego). As ondas de choque da paralisação do movimento econômico numa usina são sentidas por todo o Estado, independentemente de quem tenha ou não ligação direta com a unidade que esteja a fogo morto. Esta generalização dos efeitos negativos dá-se de forma muito mais acentuada pela simples razão de que, aqui, é a usina a grande empregadora fabril, a maior contratadora de fornecedores, e a única fonte significativa de geração de empregos e negócios no interior do Estado. Alagoas precisa se libertar desta dependência, mas é estupidez pensar que essa liberação se dará através da débâcle do sistema sucroalcooleiro. Este setor, no qual nosso Estado tem suas raízes econômicas, precisa ser acrescido de outros segmentos de porte sem que essa base ancestral e ainda contemporânea seja destruída. Hoje, quem quer que aposte no futuro de Alagoas, independentemente de sentir simpatia pelas usinas ou pelos usineiros, deve torcer para que o Grupo João Lyra não seja tragado e suas fábricas venham a sumir do cenário alagoano.