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DAQUI A CEM ANOS

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Daqui a cem anos, quando algum curioso se debruçar sobre os registros do que estava acontecendo na Europa, no Brasil e em Alagoas, nessa semana ora encerrando, poderá observar, respectivamente: a ocorrência de crise continental gravíssima; o bravo labor na mais alta corte nacional e, nas Alagoas, existia fôlego suficiente para celebrar o centenário de uma de suas principais instituições, como para cultivar a memória de alguns de seus filhos. A crise europeia chegava a um impasse: de um lado, alguns poucos países mais equilibrados,como a Alemanha, que já despejavam muito dinheiro na região; do outro, os muito desequilibrados, como Grécia e Espanha, com buracos tão profundos que, mesmo já tendo recebido quantias fabulosas, continuavam ainda quebradíssimos... No Brasil, o julgamento do mensalão se aproximava do núcleo político, delicado capítulo que acentuava a discórdia entre o temperamental relator e o gélido revisor. A sociedade acompanhava atenta. Em Alagoas, o presidente da Imprensa Oficial, Moisés Aguiar, celebrava o centenário da notória instituição, com a publicação de relevantes obras, como o número 15 da Revista Graciliano, dedicada ao centenário de dois grandes intelectuais caetés:Carlos Moliterno, que além de gestor frutuoso daquela instituição, foi consagrado poeta, com vigorosa participação nos movimentos literários de sua época. Como Diegues Júnior, ainda agraciado com a reedição da obra Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel, desaparecida até dos sebos. Constará a contribuição decisiva dos acadêmicos Solange Chalita Lages e Carlos Méro; do secretário de Cultura Osvaldo Viégas e do jornalista Romeu de Loureiro, os quais, inspirados em Cícero (?A memória diminui... se não é exercitada?), coordenaram os trabalhos para a preservação de nossa memória. Constará que Alagoas tornou-se, então, um oásis nesse árido cenário, acrescendo-se a inauguração da duplicação da rodovia da Barra de São Miguel. A paradisíaca Barra, durante o verão, se tornava um inferno, justamente pelas deficiências da rodovia. Daqui a cem anos, saberemos como a Europa saiu ou não dessa situação; saberemos o resultado do mensalão e se esse trouxe benefícios para a coletividade, iniciando-se ou não o tão aguardado ?Círculo virtuoso?. Para Alagoas, concluir-se-á que existia justificado empenho na preservação da nossa memória e no reconhecimento ao labor de seus bons filhos.

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