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Opinião

Uma aula sobre uma via errada

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Retornando a um dos fatos mais comentados na semana encerrada ontem, salientamos que a política da polícia, de constranger estudantes menores de idade em plena escola, ainda não é alvo da devida compreensão por parte das autoridades. Repetindo os argumentos aqui colocados na abordagem inicial, duas são as questões candentes explicitadas pela desastrada iniciativa. A primeira se refere ao desrespeito consciente, deliberado, ao Estatuto da Criança e do Adolescente; a segunda, e não menos grave, nos remete à ineficiência da polícia em mirar sobre o verdadeiro problema, o traficante. O primeiro quesito continua a dispensar comentários mais extensos. Mas é essencial a percepção de que, a prosseguir com essa política afrontosa, retrógrada, os direitos elementares da criança e do adolescente, depois de ignorados no ECA, retroagiríamos à palmatória, ou à vara de marmelo, para sanar as conhecidas deficiências de aprendizado em Alagoas. O segundo quesito talvez mereça mais atenção por se tratar de questão menos simples. Ora, o ?pente fino? levado adiante, ao que tudo indica com certo apoio de integrantes do sistema educacional, demonstra a completa incapacidade da polícia e dos educadores de identificarem quem, ou pelo menos como, opera o tráfico na região do colégio focado. Não se pode combater o tráfico com a coerção aos consumidores. Esta é uma certeza dentre tantas dúvidas globais no enfrentamento às drogas. O consumidor, seja viciado ou apenas um iniciado, merece respeito e tratamento. Assim é em qualquer lugar do mundo. Os traficantes são combatidos em todo o globo, variando apenas as concepções acerca de qual é o tipo de abordagem mais eficiente. Em determinados países o traficante é punido com a pena capital, como dois brasileiros que estão nos corredores da morte em prisões na Indonésia. Noutros locais, as penalidades são mais amenas, mas quase sem exceção o tráfico é considerado crime grave. Em Alagoas, se está inovando, ao se declinar do afrontamento ao traficante em prol da sujeição pública dos jovens ameaçados pelo próprio tráfico.

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