Opinião
� S� PULAR DO BANQUINHO
Li, no informativo Migalhas, que há quase 50 anos o mestre do Direito, Goffredo da Silva Teles, disse que os partidos políticos seriam nada mais do que ?siglas, rótulos e vazias embalagens?. Destacando que deveriam nascer das aspirações populares, ?eram incapazes de orientar a opinião de quem quer que seja sobre os problemas nacionais?. Chegou a fazer comparação com um sindicato ou um clube de futebol, que, no sentimento popular, eram mais importantes que um partido. Bons tempos que já se foram. Ultimamente, na maioria, têm sido usados para as mesmas finalidades, ou seja, proveito próprio de seus dirigentes e asseclas. Não se fazem triagens para acolher quem quer que seja. Acreditando que os fins justificam os meios, abrigam em suas hostes todo tipo de político, esquecendo a lisura e a ética. Basta que tenham votos, nem que sejam comprados. Quando estouram os escândalos, ficam procurando desacreditar quem denuncia e continuam dando guarida a verdadeiros marginais. Esse costume de partido político continuar abrigando quem já não deveria fazer parte de sua agremiação faz lembrar a estória do homenzinho da roça que, estando com um problema no seu membro viril, foi consultar um doutor da vila mais próxima. Após acurado exame, o médico foi taxativo: ?Seu Manoel, acho difícil qualquer tratamento para recuperar seu órgão. O único remédio é extirpá-lo?. Indignado, o cliente abandonou o consultório blasfemando contra tudo e todos. Não iria deixar que lhe fizessem tal desonra. Voltando para casa, encontrou um amigo que lhe aconselhou ouvir outros médicos, pois, às vezes, alguns exageravam na medida. Manoel resolveu ir à sede do município, mas todos o médicos que visitou deram-lhe o mesmo diagnóstico. Seu ?bilau? era irrecuperável. Mesmo assim não desistiu. Tinha umas economias no colchão e partiu para a capital com a certeza de que escaparia da guilhotina. Ao melhor especialista abriu suas lamúrias e contou o diagnóstico de seus colegas. Logo o médico pediu para examiná-lo. Peremptório, criticou a decisão de seus pares e disse não haver necessidade de amputação. Diante da alegria de seu Manoel afirmou-lhe que tudo o que precisava fazer era subir em um banquinho e pular. Com o salto, o membro, em adiantado estado de decomposição, caiu no chão. ?Não disse ao senhor que não precisava cortar??. Resta aos partidos terem a coragem de pular do banquinho. Seus membros putrefatos não resistirão.