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A ELEI��O E OS CORON�IS

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Não dá para imaginar o quanto o passado continua presente quase três décadas depois que o povo brasileiro reconquistou a liberdade de poder viver num Estado democrático. O País se livrou dos horrores da ditadura militar e o direito ao voto independente passou a ser uma conquista soberana para a sociedade. Menos para os coronéis, porque fazem as suas próprias leis. É o regime do chicote, voto de cabresto, os chamados currais eleitorais, onde se juntam pessoas humildes, em geral, analfabetos que recebem ordem sobre em quem devem votar, prática comum no Nordeste. Longe pensar que isso foi coisa dos anos 40, 50. Aliás, escrevo com constrangimento ao reafirmar que, em matéria de analfabetismo, Alagoas absorve os piores índices do País. Assim como as estatísticas da violência urbana nos colocam no topo de uma liderança incômoda. Nada novo, claro. Mas, louve-se a ação do governo em parceria com o Ministério da Justiça que transformaram o Estado num importante laboratório para o plano Brasil Seguro, cujos resultados, paulatinamente, têm sido positivos. Configura-se uma trégua, longínqua perspectiva de aliviarmos um pouco a aflição para centenas de famílias que veem seus jovens, diariamente, sob ameaça. Só não conseguimos nos livrar dos modernos coronéis, senhores absolutos do poder, não importa o preço. Como no passado, agem na disputa das eleições com os mesmos requintes de ousadia e desrespeito à lei, arrogantes. Descem do palanque e soqueiam um trabalhador cinegrafista; bem ao estilo Al-Qaeda, explodem uma bomba numa emissora de rádio talvez por não falar a mesma língua; semeiam terrorismo pelo interior se pressentirem cheiro de derrota nas urnas pela vontade do povo. Este ano, em mais de duas dezenas de municípios, os eleitores vão votar sob a proteção do Exército nacional, porque se assim não for, correm o risco de abordagens truculentas. Por outro lado, as facções rivais que disputam o pleito podem transformar as bocas de urna numa zona perigosa, colocando em risco a integridade de pessoas. A Justiça Eleitoral acendeu a luz vermelha da tolerância e, em vários municípios, forças de segurança foram requisitadas para conter os excessos. Afinal, ninguém quer perder a galinha dos ovos de ouro, mesmo que não se morra de amores pelo povo.

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