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O BRASILEIRO DO ANO

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Como já se esperava, o julgamento do mensalão vem se desenrolando como um previsível clássico futebolístico, onde importa menos a análise técnica do lance e mais em qual grande área foi marcado o pênalti. A torcida fica dividida entre Barbosistas e Lewandowiskistas. A meu ver, os dois ministros nada mais fazem do que julgar um caso que lhes foi apresentado, não vejo nenhum craque ali. Até agora, o jogo teve cara de preliminar. É como se os verdadeiros jogadores ainda não tivessem entrado em campo. Parece que é apenas uma questão semântica. Era mensal? Então, não era mensalão. E enquanto não chegar a vez dos réus do núcleo político, a bola não rola. O desvio de dinheiro público é irrelevante. Essa é a funesta mensagem que vem sendo passada até agora. Seja lá qual for o destino do montante, isso não transforma esse caso em algo especial. Mais uma vez, consolida-se o desapego do povo à fortuna proveniente de seus impostos, como se esta nunca tivesse de fato lhe pertencido. O contentamento geral com a apropriação privada de recursos públicos é cultural. A falta de entendimento desse arcaico raciocínio popular leva os mais instruídos à perplexidade. Não entendem como a população pode apoiar a Copa do Mundo no Brasil, como pode votar num candidato que diz que rouba, mas faz, ou num Tiririca da vida. Simples, o brasileiro quer a Copa porque acha que ao menos as obras ficarão prontas, diferentemente de outras, em que o percentual desviado é tão alto que sobram no final apenas esqueletos abandonados. O político que rouba, mas faz, numa matemática simples, rouba menos do que o que só rouba. Um candidato que não sabe o que se faz no congresso? Maravilha, esse daí, até que aprenda a roubar, o mandato já acabou. Em nada o caso do mensalão ajudou a desfazer essa imagem. Por isso, o brasileiro do ano não é a PGR e sim a PGU. O brasileiro do ano é uma mulher chamada Helia Bettero. Conjuntamente com outros heróis da República, no último dia 23 de agosto ela conseguiu devolver aos cofres públicos quase R$ 500 milhões desviados da construção do TRT paulista. A obstinação desses paladinos trouxe de volta ao Estado não só quantia suficiente para construir dezenas de escolas e hospitais, mas a esperança em uma nação que parecia fadada ao vilipendio perpétuo. Um acontecimento verdadeiramente histórico, diferentemente do espetaculoso Fla-Flu judicial.

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