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UM BRASILEIRO EM MACEI�

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Lançado no dia 24 de setembro último, o livro da historiadora Selene Almeida trata da participação do negociante de algodão Rodrigo Antônio Brazileiro Maçayó como cofundador da Associação Comercial de Maceió. A autora sequer imaginava, ao iniciar um texto sobre a sua família, tentando compor sua árvore genealógica, que se depararia com um volume tão grande informações sobre o seu antepassado. A princípio só, desejava tratar do ramo familiar e discorrer sobre as histórias, quase lendas, envolvendo o jovem Rodrigo e a índia Tité, com quem se casou e constituiu família, onde ela mesma se considera uma caeté. Mas tudo isso ocorreu no início do século XIX e esta história parecia ter se perdido na vetusta Vila de Maçayó, razão pela qual peregrinou pelas principais casas da História alagoana, alentando a doce esperança de encontrar registros. Sem muita esperança, subiu os degraus do Palácio do Comércio e contou sua vida, relatando a busca por informações de seu parente Rodrigo. Foi só ouvir o nome, lembrei que este fazia parte da escritura do terreno adquirido de Leão Irmãos, para construir o prédio, sede da Associação Comercial de Maceió. Primeiro, disse-lhe o que já sabia: o terreno tinha sido herdado pelo Comendador Manoel de Vasconcelos, o segundo presidente da Associação, que era proprietário dos trapiches Novo e Faustino. Por isso, seus olhos brilharam quando completei que ele era um dos fundadores da entidade e estava entre os 46 algodoeiros que assinaram, junto com o fundador, José Joaquim de Oliveira, o primeiro convênio para inspeção do algodão e que este convênio serviu para organizar toda a logística do setor, inclusive a classificação do produto para exportação, nos moldes de Pernambuco e Bahia. O que ela não sabia era sobre o volume de informações compiladas nas primeiras atas da instituição desde 1866, que agora estavam transcritas, digitadas e impressas para pesquisa, graças a um convênio com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), contando com o patrocínio da Braskem. Mais ainda, eu tinha em mãos o artigo que havia escrito, com o título de Uma Associação de Algodoeiros, a pedido do professor Cícero Péricles, para publicação na Revista de Economia da Ufal. A História é, sem dúvida alguma, uma ciência que anima o espírito e estimula a curiosidade. Dona Selene fez do seu livrinho de família uma grande contribuição para a história econômica de Alagoas.

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