Opinião
Mais uma greve, mais um preju�zo
Outra greve anuncia sua chegada ao cenário alagoano. Outra vez, o dano público é usado como único trunfo de negociação pelos grevistas. E novamente, por antecipação, já se sabe quem vai pagar o pato. Pelo noticiado ao longo do dia de ontem, esta é a vez dos servidores da Adeal (Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas) se servirem da pressão sobre a população alagoana, que, segundo os especialistas, poderia sofrer duras consequências em sua economia. Em suas declarações à imprensa, os grevistas não desviaram do foco e declararam que, ?devido à falta de fiscalização, Alagoas pode se tornar uma zona de alto risco da febre aftosa, sem, com isso, atingir meta estabelecida pelo governo para combate à doença?. Ora, as ?metas estabelecidas pelo governo? estão longe de ser uma decisão administrativa qualquer. Trata-se de uma exigência nacional sobre o mais rigoroso controle contra o risco da febre aftosa. Como sabemos, a febre aftosa não alcança o ser humano, mas ao afetar o gado causa grandes problemas econômicos pelo simples fato de que é vetado o consumo da carne e dos produtos derivados de áreas onde existe o risco de manifestação dessa doença. Alagoas luta, há anos, para sair da lista dos Estados com manifestações desse mal que castiga bois, porcos, cabras e ovelhas, além de outros animais de casco fendido. Um trabalho sistemático tem sido feito em todo Brasil para liberar todo território nacional dos mapas de ocorrência da aftosa (os mercados mundiais só aceitam produtos das áreas liberadas). Os reivindicantes da Adeal asseguram que seus salários, na faixa de RS 2,3mil, estão bem abaixo do padrão nacional, que seria de R$ 5,6 mil. E sendo ágeis na demanda, já anteciparam que aceitariam algo como R$ 4 mil. E qual o próximo passo? Qual a contraproposta governamental? Será que o Estado terá de sofrer, novamente, os prejuízos da paralisação do trabalho numa área tão estratégica? Antes que esse pato saia ainda mais caro para a população alagoana, não seria melhor chegar-se logo a um acordo?