Opinião
SUPERPROTE��O
Atualmente, a sociedade vive a maior parte do tempo sendo bombardeada por notícias e fatos relacionados à violência. E essa é uma das principais causas da superproteção dos pais com seus filhos. Observamos crianças e adolescentes cercados de cuidados excessivos, monitorados de todas as formas possíveis (celular, e-mail, MSN etc.), criando uma atmosfera de grande insegurança familiar. Apesar de compreensível, essa atitude dos pais de superproteger seus filhos traz uma série de consequências para o desenvolvimento biopsicossocial dessas crianças e adolescentes. A pressa é uma característica típica do adulto, o que dificulta esperar o ritmo da criança. Quando os pais não conseguem esperar o ritmo do filho e o faz por ele, pode provocar na criança e no adolescente a sensação de que não é capaz de fazer. Essa sensação de incapacidade vai agir diretamente na autoestima da criança e do adolescente fazendo-os assumir muitas vezes uma postura de ?preguiçosos?. A superproteção tira dos filhos a oportunidade de aprenderem a lidar com imprevistos, com os limites, a resolverem conflitos, desenvolverem autonomia e fazerem escolhas. Além disso, gera insegurança e medo frente às situações diferentes do seu cotidiano, tendo a necessidade de ter sempre alguém por perto, o que muitas vezes leva a criança ou o adolescente a acreditar que as pessoas têm obrigação de estarem sempre à disposição para auxiliá-los. O excesso de zelo chega a prejudicar inclusive o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. Nada mais saudável do que os pais protegerem seus filhos, mas dando instrumentos para que eles aprendam a viver de forma autônoma. Esses instrumentos são as informações de como lidar com as situações perigosas, os momentos de escolhas, as amizades não muito construtivas que possam surgir no seu dia a dia, distribuir as tarefas domésticas com os filhos, deixar que desde pequenos façam pequenas tarefas e tenham o prazer de se sentirem responsáveis. Aliás, responsabilidade é uma palavra meio desconhecida por filhos superprotegidos. Os próprios pais criam os ?reizinhos? e ?rainhazinhas? dentro de casa e depois se veem às voltas com o comportamento tirânico de seus filhos em casa, na escola e nos demais grupos sociais. Proteção na dose certa gera filhos seguros e autônomos, e pais mais próximos de seus filhos.