Opinião
PROFESSOR DENIS ANT�NIO DE MENDON�A BERNARDES
Um amigo comum, o administrador e pesquisador alagoano Davi Bandeira, nos apresentara numa clara manhã de maio, no nosso Arquivo Público, no seminal bairro de Jaraguá. Obviamente, já lhe conhecia a bibliografia ? toda ela fruto de treinamento sistemático de doutor em história social, orientador de gerações na Universidade Federal de Pernambuco, à qual ele mesmo deveu sua formação e se devotou, sob um progressismo que nada tinha da pompa de que poderia se inchar como descendente de ouvidor, barão, coronel, doutor, artista e senhor de engenho. Ao me ver, Denis Bernardes deixou escapar um sorriso doce ante meu rosto bronzeado, num suor contido pela toalha, após uma minha invencionice um tanto terapêutica de me meter a baixar a grama do jardim da instituição de roçadeira em punho. Olhos de menino em chapéu de palha, conquanto a bengala de apoio a contrastar, Denis nem me pareceu vir, na verdade, lutando contra um mal que acabaria por abruptamente roubar-lhe a vida aos 64 anos. Em regresso à terra natal, ele fora me conhecer e aceitara-me o convite, ?numa dívida histórica com a província?,confessara, para colaborar na Revista do Arquivo Público de Alagoas, retomada em seu número especial para o meio século tanto do periódico quanto da casa. Coincidentemente, assim, a revista de número dois, ora renascida, além de colaborações de graduandos a pós-doutores gentis que muito nos honram, conta com um ensaio que presumo ter sido o último de sua lavra, no qual discute a arquitetura oficial na gestão do ex-governador e penalista Osman Loureiro de Farias (1895-1979), baseado na publicação Documentário de uma Administração (1934-1940), sob a voga do programa desenvolvimentista brasileiro e também da renovação dos padrões estéticos e construtivos. Recordo que brinquei se ele havia conhecido o renomado historiador pernambucano José Antonio Gonsalves de Mello, neto (1916-2002), dizendo-lhe possuir em minha coleção particular um exemplar autografado do clássico Tempo dos Flamengos (1947). Se conhecera... inclusive fora seu aluno e organizaria também uma coletânea daquele que é, ao lado de Evaldo Cabral de Mello, a nossa maior autoridade na presença neerlandesa. Eis nosso unigênito encontro. Resta uma pontinha de lamentação pelo pensamento social brasileiro. Desaparece um seu representante justo no dia em que completo os meus trint?anos.