Opinião
O OCIDENTE: UM PARADOXO
Dois episódios recentes dão mostras concretas do paradoxo pelo qual passa a cultura ocidental. O primeiro episódio diz respeito ao vídeo caseiro, de mau gosto, satirizando o profeta Maomé. Ele passaria despercebido não fosse mexer com os muçulmanos. Bastou o vídeo espalhar-se pela internet e pronto. Estava decretada mais uma vez a revolta fundamentalista islâmica contra o Ocidente infiel. Ataques e mortes foram vistos nos quatro cantos do Oriente. Novamente, líderes mundiais, reféns do politicamente correto, vieram a público condenar a ?barbárie?. Não a dos islâmicos, violenta, sangrenta e desproporcional ao ocorrido. Mas a ?barbárie? daqueles que produziram o malogrado vídeo. Vale ressaltar que sempre se diz que essas reações violentas partem de um islã violento, representado por fundamentalistas maltrapilhos. Mas aqui cabem algumas perguntas: quem financia esses fundamentalistas? Algum líder das potências de maioria muçulmana condenou veementemente a reação exageradamente agressiva desses grupos? Assim fica difícil acreditar em um islã tolerante e pacífico. Mas passemos ao segundo fato. Na semana passada, uma revista de circulação nacional trazia em sua capa o jogador de futebol Neymar crucificado no lugar de Jesus Cristo. A intenção da revista, além de chamar a atenção e provocar, era sintetizar o sofrimento pelo qual vem passando o atacante na sua relação com a torcida. Trata-se de um desrespeito claro a um símbolo caríssimo ao Ocidente, à fé dos cristãos, e, de um modo particular, aos católicos . Mas o que se viu? À exceção da nota emitida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da campanha de repúdio nas redes sociais, de uma forma geral houve um silêncio cínico da sociedade brasileira. Quando deixamos de nos espantar e incomodar com aquilo que ofende as coisas e as pessoas amadas, é porque nos tornamos indiferentes. E, consequentemente, estamos adoecendo. Mobilizar frentes de batalha contra um vídeo estapafúrdio, igual a tantos outros que satirizam as diversas fés é aceitável, quando se trata da crença muçulmana. Quando se trata do ataque aos cristãos, isso é problema deles, não diz respeito à cultura ocidental. Faz pena a falta de brio da cultura ocidental pelos seus símbolos, pela fé que lhe é predominante. Uma civilização que não se orgulha de si mesma está condenada ao fracasso.