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Opinião

Uma mureta e o faz de conta

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Conforme aqui antecipado, por mera intuição, o retorno às aulas no campus da Ufal em Arapiraca acontece sem que o problema motivador da greve tenha sido arranhado. O acordo fechado deixa em aberto o problema central de segurança, apesar dos compromissos selados. O protesto da comunidade universitária em Arapiraca teve motivação distinta das tradicionais paradas por maiores salários que têm marcado o movimento sindical docente. As razões arapiraquenses têm conteúdo não só particular como se atêm a pontos concretos, cujos interesses vão além dos bolsos dos grevistas. A batalha é contra a temeridade de se ter como vizinho do campus um presídio. Conforme já comprovado em mais de uma fuga, uns poucos pulos separam as celas das salas de aula. E o pior é que a classificação oficial da penitenciária é de ?média segurança?. Imaginem! Greve feita, problema colocado à mesa de discussão. E o primeiro resultado, tímido em demasia, não pode ser considerado propriamente um avanço, mas um começo para uma busca de soluções reais. Um muro será construído entre as salas e as celas. Existe o compromisso da muralha (ou mureta?) ser vigiada dia e noite (e não seria caso de vigilância diuturna uma penitenciária?) e outros acordos sobre paliativos. Mas o perigo continua, indiscutivelmente. Não se pode eludir da questão nodal: escolas e presídios não podem ser vizinhos. Um dos dois tem de mudar de endereço em Arapiraca. Enquanto isto não acontece, é inútil fazer de conta que as coisas estão bem encaminhadas. E por falar no campus de Arapiraca, não se pode olvidar da perigosa proximidade entre o Campus A.C. Simões, no Tabuleiro do Martins, e o presídio de ?mínima segurança máxima? Baldomero Cavalcanti. Apesar de não tão próximas como no terreno arapiraquense, as celas e as salas também estão temerariamente vizinhas em Maceió. Não estaria passando da hora de ser estabelecida uma política de segurança pública para a localização dos presídios em Alagoas? Ou alguém acha essa vizinhança educativa?

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