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Opinião

VIOLA��O DE DIREITOS HUMANOS

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Política, futebol e religião não se discutem; cada um tem opinião própria. Essa é a sabedoria popular. Em política internacional muito menos. Assim, mais da metade da humanidade não acreditava na bomba atômica; e aconteceu a tragédia de Hiroshima e Nagasaki. Agora, metade da população mundial não acredita na bomba nuclear do Irã. Conto-lhes o porquê de meu conhecimento do Irã, de suas violências e arbitrariedades. Como acreditar nesse país que ? até prova em contrário ? desenvolve um bem escondido programa nuclear? Sem querer discutir as posições da diplomacia brasileira diante do regime do Irã, as desconfianças persistem para com esse país que cortava a mão do ladrão, apedreja mulheres suspeitas de adultério, persegue e tortura os adversários do regime e obrigava as mulheres vestirem-se de preto, total ou parcialmente. Ah!, ia esquecendo. O escritor Paulo Coelho anunciou, não faz muito tempo, que o governo iraniano determinou que seus livros fossem banidos do país. Ele conclamou as autoridades brasileiras a intervir no que classificou como decisão arbitrária. Nem foi ouvido. Mas vamos aos fatos que gostaria de relatar e que explicam porque não acredito nas boas intenções do Irã. Em 1980, meu irmão Rui Medeiros, escritor e jornalista, foi designado pelo jornal Diário de Notícias, onde trabalhava, para cobrir a revolução no Irã, que levou ao poder os Aiatolás ? sacerdotes xiitas ? que assumiram o poder em nome da religião islâmica. O que dizia à época o Aiatolá Khomeini, que assumia o governo, está inserido no livro A Revolução dos Turbantes, escrito por Rui Medeiros, que acompanhou a revolução naquele país; dizia o então dirigente do Irã: ?Todo poder deve ser religioso, porque o poder civil, qualquer que seja sua forma, é forçosamente um poder ateu, obra de satanás?. O presidente atual é criação dos aiatolás. Entretanto, nada justifica que um mal intencionado americano produza um filme ridicularizando o profeta Maomé, no qual 500 milhões de árabes acreditam. Trata-se de desrespeito à fé dos islâmicos, o que está provocando uma guerra religiosa. Rui Medeiros, após o envio de reportagens para o jornal brasileiro, foi convidado, gentilmente, a deixar o país; a polícia acompanhou-o até o embarque de volta ao Brasil. As reportagens que contavam a violência reinante no Irã desagradou ao regime. O que mudou no Irã? O fanatismo é uma das chagas do mundo.

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