Opinião
Dia para pensar num tema adulto
No mundo não existe uma data única, em termos de adesões nacionais, para se comemorar o Dia das Crianças. Em função da data de aprovação da Declaração dos Direitos da Criança, a ONU recomenda 20 de novembro como o marco internacional do festejo ao infante. Mas prevalecem várias datas mundo afora e a maioria dos países, a seu modo, dedica um dia à infância. No Brasil, a escolha do dia 12 de outubro remonta há quase um século, numa iniciativa de um deputado federal chamado Galdino do Valle Filho, que propôs e logrou êxito em prol de sua ideia, ganhando a adesão do presidente Arthur Bernardes, que oficializou a data por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924. Mas as fontes de pesquisa na web indicam que a data era praticamente ignorada até 1960, quando uma promoção da iniciativa privada conferiu prestígio massivo ao dia. O 12 de outubro foi escolhido pela fábrica de brinquedos Estrela e pela Johnson & Johnson para o ápice da campanha ?Semana do Bebê Robusto?. As duas empresas robusteceram suas vendas, estabelecendo um novo padrão para o Dia das Crianças. Nos anos subsequentes, o caráter comercial imprimido à data foi sendo paulatinamente questionado. Hoje, o Dia da Criança ainda apresenta essa dúbia face: é o momento de se comprar presentes e dá-los às crianças; ao mesmo tempo é a hora de se refletir sobre o tema e implementar ações e políticas em benefício da infância. Preservado o seu caráter festivo e empreendedor (afinal, criança gosta de alegria, presentes e, como toda sociedade, é beneficiária do salutar incremento no comércio) é-se fundamental o uso do Dia das Crianças como ocasião para o debate e consolidação de novas ideias, projetos e programas voltados para a resolução de problemas que ainda afligem grandes contingentes das crianças brasileiras. Que sejam dados ainda mais presentes, hoje, às crianças carentes, mas que a este gesto de filantropia sejam agregadas grandes iniciativas (públicas e privadas) voltadas para a inserção social, educação, saúde, esporte e lazer para a infância ainda desassistida no Brasil.