Opinião
Amarras do passado no Pa�s do Futuro
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados recentemente, descortinam velhos gargalos para o pleno desenvolvimento brasileiro. Essa visão das barreiras levantadas ao crescimento brasileiro (em sua real potencialidade) podem ser bem aquilatadas nas informações reunidas pelo Fórum Econômico Mundial, onde o velhíssimo fantasma da corrupção aparece assustando bem menos ao empresariado do que a complexidade e superposições da regulação tributária. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil figura em 48º lugar dentre 144 países pesquisados em competitividade. O sentido da preocupação que emana desta posição aproximadamente intermediária é de que o Brasil, mais que outras nações, precisa superar esses obstáculos ancestrais para poder jogar o peso do que antes era conhecido como ?o país do futuro?. Não é difícil imaginar a grandeza do processo de inserção social (interno) e a pujança da presença brasileira no mundo. Se com todas essas barreiras retrógradas o País, hoje, aparece como a sexta maior economia do mundo, o que seríamos se essas estupidezes estruturais tivessem sido deletadas da vida nacional? Pelos estudos do Fórum Econômico Mundial, as regras tributárias brasileiras são consideradas o principal obstáculo ao empreendedorismo e à competitividade nacional por 18,7% dos empresários entrevistados, enquanto a corrupção é tida como o maior problema por 6% desse mesmo público. Nos demais degraus desse pódio de ?inimigos da competitividade brasileira? destacam-se a infraestrutura precária (17,5%), carga tributária (17,2%), burocracia (11,1%) e regulação trabalhista (10,1%). Problemas com a formação da mão de obra especializada preocupa apenas a 7,4% dos empreendedores. Infelizmente, a balbúrdia da legislação sobre tributos no Brasil parece não ter fim e a cada gesto de ?reforma?, a emenda sai pior que o soneto, tornando o escopo normativo ainda mais complexo e burocratizado, e ampliando o peso da carga tributária. E assim o País segue frenado, travado, ainda temendo alcançar seu futuro.