Opinião
PROTE��O DAS PRAIAS DE MACEI�
Fazer um muro de contenção (ou de dissipação de energia) na praia implica, muitas vezes, em aceitar que seu nível vá se tornando sempre mais baixo que o da calçada. Em Maceió, este é o caso. Já há trechos que somente com escadas pode se chegar ao mar. Um perigo para crianças e idosos andarem sozinhos. Isso decorre em função da própria energia ?devolvida? pela contenção que ajuda a erodir ainda mais a faixa de areia. Com gabião, o ?muro? fica ainda pior, pois é inadequado como contenção no longo prazo por sua fragilidade. Suas ?fundações? são solapadas e acabam desmoronando. Transformam a praia, naturalmente de areia, numa de pedra rachão. Incompetência e falta de zelo à orla, tendo em vista que sequer recolhem as pedras depois que os muros se vão! Vai ficando pedra por todo lugar na areia... Coqueiros saudáveis são ?derrubados? nas altas marés... Uma tristeza. É importante ressaltar que a natureza é desequilibrada desde quando o homem ocupa terraços marinhos ou restingas de areais, pois essas áreas são as mais recentes na história da Terra (do Quaternário) e ainda se encontram em permanentes transformações. A componente antrópica complicadora é que muitas cidades implantadas na costa, no mundo todo, são mal planejadas como Maceió. Adicionalmente, estão sob o controle da especulação imobiliária e de corretores. Melhor que ?brigar? com as forças naturais é trabalhar com elas. Em Maceió, a erosão não é tão grande que um aterro por dragagem na Ponta Verde/Pajuçara não possa ser adequadamente projetado e executado, considerando toda a dinâmica envolvida (correntes do mar, transporte de sedimentos etc.). Faltam engenharia e vontade dos gestores. Não adianta ficar culpando o aquecimento global. Um aterro ficaria bem mais barato ? obras não têm que ser feitas para ser, em seguida, refeitas ? além de ser bem mais adequado à paisagem. Muros de contenção é solução para outras situações. Não para uma cidade turística e com tradição de uso de suas belas praias como área de lazer. Neste ínterim, ouve-se falar apenas de um novo ?marco turístico? no lugar do antigo Alagoinhas sem se discutir a forte erosão de praias em suas proximidades, falta de saneamento e a degradação dos corais que as protegem. Os recursos públicos são escassos. É esta a prioridade? Faltam entendimento e bom senso! Um novo ?monumento? aparece mais... pão e circo continuam desde a Roma Antiga.