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Opinião

O SUS DAS ELITES

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Vivemos num país onde cada ser humano, rico ou pobre, é vítima da ineficiência do precário sistema de saúde. Tanto faz o que nos oferece o governo, por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS), ou os caríssimos ?planos privados?, que cobram dos usuários elevadas mensalidades. Em troca, retornam profissionais insatisfeitos, revoltados com o procedimento das empresas seguradoras que não lhes pagam justa remuneração pelo serviço prestado aos pacientes. E, convenhamos, é verdade. Que o digam os urologistas de Maceió. Eles, literalmente, aboliram o atendimento por meio desses planos e se dão por felizes. Em média, uma consulta particular custa R$ 200 e o paciente que se vire depois para ser reembolsado, com um valor irrisório, ao que pagou. Assim tem sido a regra do jogo, infelizmente. Muitos outros médicos, isoladamente, também já não têm interesse em prestar atendimento via convênios. Não são casos isolados. Todas as operadoras pressionam profissionais não somente na questão da remuneração, mas exigindo deles drástica redução nos serviços de exames e outros procedimentos em detrimento da recuperação do paciente. É igualmente humilhante a metodologia adotada hoje pelas emergências dos ditos melhores hospitais de Maceió. Amontoam homens e mulheres, crianças e idosos, identificados por uma fita colorida para priorizar a ordem de entrada ao consultório. Uma estratégia meramente burocrática, já que a vítima de uma dor aguda pode ficar horas e horas, muitas vezes em pé, porque não existem cadeiras suficientes para sentar. Isso para não falar do mau humor dos atendentes, que não se esmeram para dar aos usuários uma atenção no mínimo cordial naquele instante de sofrimento. Outro dia, precisei levar um parente a uma dessas emergências e, durante a espera, constrangeu-me ver a revolta de uma jovem senhora que implorava por atendimento para a sua mãe. Aos gritos, desesperada, ameaçava chamar a imprensa para denunciar a humilhação de uma criatura que pedia socorro na emergência do hospital porque passava mal. Estavam ali mãe e filha, há mais de três horas, na sala de espera. Não há distinção, tanto faz a carteirinha dos SUS ou o cartãozinho do plano de saúde, tudo é a mesma coisa. Foi-se o tempo em que fazer um grande sacrifício financeiro para pagar um plano de saúde para a família era uma conquista importante.

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