loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Os limites �ticos e a censura cega

Ouvir
Compartilhar

Renitente, o fantasma da censura teima em se manifestar, causando arrepios aqui e alhures. Recente decisão do Conar, ao vetar peça publicitária de uma revendedora alagoana de motos, é mais um motivo para se debater sobre o temido retorno do espírito objurgatório. Mas a discussão sobre os limites censuráveis sempre deve ser vista como bem-vinda, afinal, a democracia se fortalece com a polêmica cidadã. A vetada peça publicitária, em verdade, fundamenta-se em concepção machista, sexista, indubitavelmente. Porém, necessário se faz reconhecer não ser essa iniciativa uma manifestação inusitada. A própria TV aberta está recheada de expressões chulas, machistas, sexistas, homofóbicas, preconceituosas de todos os tipos; alguns badalados programas e determinados ?novos? modelos de humoristas (especialmente no estilo stand up) se esmeram em baixarias sem que lhes seja feita admoestação digna de nota. Uma das poucas exceções foi a crítica generalizada num único caso, por ter sido o dito dirigido a uma artista grávida e seu bebê. Mas, nem nesse badalado caso, da agressão verbal à gestante, se presenciou alguma atitude concreta, e firme o suficiente, por parte dos órgãos responsáveis pela ética nos meios de comunicação. O acontecido em Maceió alcançou razoável repercussão e se faz necessário aproveitar essa chance e expandir o debate sobre os limites e a censura. O pomo de Adão desse imbróglio é como estabelecer critérios objetivos que não venham a ser utilizados contra a liberdade de expressão e de criação artística. É legítimo à criação publicitária o uso de expressões populares e do erotismo subjacente à secular cultura das frases de duplo sentido. Como calibrar essa receita é o problema. Vários exemplos são aplaudidos desde há muito, como o saudoso Jackson do Pandeiro, por exemplo. Na poesia, Gregório de Matos empolgou com versos picantes o público do século XVII, ganhando a alcunha de ?Boca do Inferno?. Enfim, este é um debate cidadão. Encaminhado de forma aberta, sem preconceitos, pode dar em ótimo resultado, se é que não já deu (opa!).

Relacionadas