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Opinião

O professor

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Sempre nos enriquece a memória a sua imagem passada e presente, não é apenas no quinze de outubro que exaltaremos o seu nome. Lembro-me da minha primeira professora, Eudóxia Nemézio, aquela mulher de pele clara, estatura mediana, gordinha e risonha. Régua na mão, para ser utilizada nos momentos em que o castigo a alguns rebeldes se fazia necessário, dedos roliços sem nenhum adorno, mãos bem cuidadas e braços fortes. A sala única, os bancos inteiros ou tamboretes rústicos, espalhados onde surgia alguma vaga, eram ocupados pelos alunos, todos devidamente uniformizados. Sua voz estridente e autoritária ecoava à distância e nos fazia tremer de medo. Madrinha Eudóxia, assim a tratava, muitas vezes comadre de mamãe, era uma verdadeira mestra! Depois, veio D. Eutália Costa e Silva, morena, alta e magra, profunda conhecedora de pedagogia, requisitada daqui de Maceió para transmitir os seus fartos conhecimentos aos estudantes pequeninos e adultos de Viçosa. Sua escola era implantada na Rua dos Paus Brancos, mas à tarde funcionava em sua residência na Praça Apolinário Rebelo. Meus irmãos maiores e eu frequentávamos os dois horários. Não havia tempo para brincadeiras, dedicação exclusiva aos estudos. Assim, alcançamos o exame de admissão com êxitos e outros cursos que se seguiram sem reprovação alguma. Dona Eutália era uma mestra completa. Devo-lhe grande parte da minha formação religiosa e educacional. Até o momento me surpreendo realizando alguns dos seus hábitos e procedimentos. Impossível esquecer aquela pasta enorme de pelica marrom, confeccionada por encomenda, onde transportávamos os nossos livros, cadernos e material escolar. Todos os meus irmãos se recusavam a conduzi-la, muitos choravam, jogavam-na na calçada e sempre sobrava para mim por ser a mais velha e responsável pelo grupo. Era um tempo em que as profissões de médico e professor se sobressaíam e ao mesmo tempo geravam frutos sazonados. O salário de ambos era suficiente para manter-se e a sua família com decência. Não mendigavam empréstimos, nem eram tidos como velhacos, nem usavam vestimentas surradas ou com remendos ocultos. Respeitados por todos os lugares por onde circulavam, abriam-se alas às suas passagens e as atenções para eles eram voltadas sem dúvidas. Os tempos naufragaram como se fossem engolidos pela fúria de um vulcão furioso e renovado e as suas cinzas vão devorando, assustadoramente aquelas figuras que vieram para salvar o mundo: o médico e o professor. Nenhuma nação poderá progredir se a desvalorização desses dois profissionais se faz presente. Para nossa infelicidade, muitos não compreenderam que a nossa pátria sucumbe dia a dia, com o sucateamento das escolas e hospitais. Apenas alguns, os poderosos, dela se apoderam de uma maneira inculta e infiel, tentando vendar os nossos olhos, desprestigiando essa classe que será sempre o esteio da dignidade e fartura. Hoje, nada temos a comemorar, como o faremos no próximo dia dedicado ao médico. Apresento uma sugestão como participante do grupo: distribuirmos a cada um de nós, como gratificação, um lenço branco, onde poderemos despejar as nossas lágrimas e solicitar a paz. ?O professor é aquele que faz brotar duas ideias onde antes só havia uma.?

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