Opinião
Sobre juros e infla��o
Pelo olhar do Fundo Monetário Internacional, o processo de recuperação da economia brasileira deverá se consolidar em 2013. Ao sair do sufoco, pelas análises do FMI, o Brasil será obrigado ?a rever suas políticas de estímulo [econômico] para frear o aumento da inflação?. Tal avaliação, detalhada e abrangendo outros países da América Latina, está contida no relatório regional Economic Outlook (Perspectivas Econômicas Regionais). O estudo se debruça sobre a América Latina e o Caribe, mas foca o Brasil com especial atenção. Esse oráculo do FMI aponta, para este ano, a inflação brasileira em 5%, e de 5,1% para o ano vindouro. As contas do boletim semanal Focus, editado pelo nosso Banco Central, projeta 5,14% e 5,44% como índices inflacionários, respectivamente, para 2012 e 2013. Mas o sinal amarelo acendeu após o balanço de setembro deste ano, quando a inflação alcançou 0,57%, a maior alta desde abril e ?maior variação para o mês de setembro desde 2003?. A preocupação se justifica. Afinal, o trauma inflacionário brasileiro tem toda a razão de ser, visto o terrível histórico de incontroláveis ondas de desvalorização da moeda que deixaram marcas indeléveis na alma do nosso País. O temor frente à inflação não pode ser visto como covardia, mas como reflexo condicionado e uma reação consciente e inteligente indispensável para evitar a repetição de tragédias como em muitos momentos da nossa história. Está certo o FMI: o Brasil não pode se distrair e certas medidas de estímulo ao consumo precisam ser repensadas para quando a economia brasileira emitir sinais de desatolamento. Mas a questão não é tão simples, por dois motivos elementares: a incontornável tendência de aumento do consumo brasileiro e a eficácia dos juros reduzidos para consubstanciar e ampliar o processo de crescimento da produção. Os próprios processos inflacionários sofridos pelos brasileiros ensinaram que existe também um sinal de igualdade entre juros elevados e inflação alta. Evitar uma bolha no crédito ao consumo é algo prudente, mas é estupidez manter o juro estratosférico, voltado contra o setor produtivo.