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Opinião

O terceiro turno

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EDUARDO BOMFIM * O resultado da eleição presidencial no próximo domingo, noves fora um extraordinário terremoto eleitoral, é fato consumado. A diferença pró-Luís Inácio da Silva nas pesquisas tornou-se tão acachapante que restou ao candidato situacionista única e exclusivamente o apelo ideológico extremista. O que provocou uma insólita ironia. Na verdade, a tática dos marqueteiros do candidato do presidente Fernando Henrique foi, durante toda a campanha, caracterizar o seu opositor como despreparado e representante de uma esquerda irracional, fundamentalista. Em determinado período do embate no Guia Eleitoral da televisão e do rádio, Serra apresentou-se como um político defensor de mudanças na atual orientação econômica e social do regime neoliberal, com uma formação de esquerda, ex-líder estudantil, duas vezes exilado político, etc. e coisa e tal. De nada adiantou. O povo continuou repudiando o governo, seu pretenso sucessor, a recessão, o desemprego histórico no País, baixos salários e tudo mais. Daí, o jeito foi apelar para o confronto ideológico aberto. O programa do ex-ministro da saúde adquiriu nítido caráter agressivo, apelando para o velho e surrado discurso de uma nação envolta na baderna, do perigo de uma república sindicalista, inflação desenfreada. Em resumo, o caos total. São argumentos parecidos com aqueles que levaram ao golpe de Estado que culminou com a deposição do presidente João Goulart em 1964. Mas como já se falou, corretamente, a História só se repete como tragédia ou farsa. Tudo indica que além de uma desesperada tentativa de reverter o quadro eleitoral, prepara-se a articulação, em vários níveis, de um campo desestabilizador ao futuro governo consagrado nas urnas. Incluindo neste projeto, um ofensivo movimento reacionário, se possível com base de massas. Os seus mentores ideológicos e materiais seriam, principalmente, segmentos do capital financeiro internacional e nativo. O objetivo é e será impedir as mudanças imprescindíveis à trajetória de um Brasil dependente para uma nação soberana, de porte continental, com generosa liderança internacional, economicamente ascendente e, acima de tudo, plena de justiça social. (*) É ADVOGADO

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