Opinião
O MUNDO E OS DEPENDENTES F�SICOS
Sempre fui otimista e corajosa em enfrentar o mundo na minha cadeira de rodas. Mas, desta vez, achei de fazer um itinerário mais complicado, por quatro países, com maior dependência nas chegadas e saídas de cada um deles. Na realidade, em princípio, gostaria de fazer meu roteiro de TGV, trens rápidos que transitam por todos os países da Europa. Como turismo é um ofício no qual trabalhei por 30 anos, pus em prática minha experiência e resolvi enfrentar, por via aérea, meu ousado programa. Confesso que, quando se aproximou o dia da viagem e pensava nos problemas que poderia ter com as malas e cadeira de rodas nos traslados, dava-me uma tremenda angústia. Mas, como não sou de me acovardar, me peguei com Deus e minha protetora N. S. da Conceição, e fui em frente. Por um pouco de desleixo meu, o que jamais aconteceu, não fui cuidadosa de levar toda equipagem que minha cadeira exige numa emergência, mesmo porque, raramente, acontece algo com ela. Assim embarquei na TAP, via Fortaleza, para Frankfurt. Avisei à companhia das minhas necessidades e nada me faltou na chegada. Fui condignamente levada ao meu hotel, com eficiência e simpatia. Infelizmente, na entrada, deparei-me com três degraus, sem rampa para cadeirantes! O gerente propôs-se a carregar a cadeira todas as vezes que eu precisasse, mas o elevador não comportava a cadeira. Eu havia avisado, na reserva, que a possuía. Mas, enfim, arranjaram-me outro hotel próximo, com acesso à minha locomoção, porém o elevador era estreito e inacessível. Resolvi deixar, todas as noites, a cadeira na recepção (carregando as baterias) e subir para o meu quarto, próprio para deficientes, e ficou tudo bem! No dia da minha partida para Zurique, minha escala seguinte, passei a noite angustiada, com receio de não encontrar alguém que me ajudasse com a mala no aeroporto... preocupação desnecessária, pois a Europa ? como o mundo todo ? está preparada para receber e dar assistência aos deficientes físicos e idosos. Só no Brasil é que não se obedece essa lei internacional. Sim, ainda tive um probleminha com o pneu da minha cadeira, que é brasileira, e não tinha levado câmaras de ar. Fiquei desesperada, pois sem a cadeira não poderia andar muito. Mas, o profissional que o hotel chamou para me atender, habilidoso, adaptou o pneu de um outro tipo de cadeira e deu tudo certo! Como fiquei grata a Deus! Tive outros probleminhas, mas sempre contei com a ajuda Divina! Se não fosse o tempo chuvoso de começo de outono e o frio intenso, tudo teria sido maravilhoso!